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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Planos para o Novo Ano e o Papai

Tenho rascunhos aqui que comecei há meses e ficam meio sem conexão. Fico tentando lembrar o que eu queria ter escrito na época e hoje eles tem um significado completamente diferente. Antes de Helena nascer já tínhamos algum planejamento para esse ano, afinal nos mudamos no ano passado, mas como eu estava grávida, ficamos meio inertes e deixamos a coisa rolar, a vida melhorar.
E assim foi, as coisas foram indo cada uma para o seu lugar, os dias foram ficando mais leves, o fim do ano se aproximou e começamos a planejar. E quando se tem um bebê e a possibilidade de estar em casa o tempo todo com ela, os planos se dividem entre razão e emoção, entre as necessidades da mãe, do pai e do bebê. Planejamos que eu ficaria com a Helena até que ela completasse um ano, para começarmos a pensar em creche, mas quando o Ricardo mudou o turno de trabalho para a noite, conversamos que seria possível eu retornar ao trabalho antes, assim ele ficaria com ela em um período do dia para que eu pudesse trabalhar.
Eu trabalho fora e estudo desde os 16 anos, sempre gostei de trabalhar. Quando pensava em ter filhos, imaginava parando por pelo menos dois anos para me dedicar 100% a essa fase tão importante da vida do bebê, mas nem sempre a realidade atende aos nossos sonhos. Na metade da gestação, quando saímos de Porto Alegre eu deixei pra trás faculdade e trabalho, e isso foi muito pesado para mim, emocionalmente. 
O nascimento de Helena me abriu às mais diversas experimentações e tentativas. Tentei recomeçar a faculdade mas ainda não consegui, retornei ao mercado de trabalho em período parcial mas não nos adaptamos (durante 21 dias eu me senti bem saindo de casa, mas Helena não aceitava o leite ordenhado e o marido estava ficando tenso com a rotina de trabalho). Ainda estou trabalhando em algo em que eu possa conciliar o tempo com Helena, sem prejudicar a família. Retomamos a decisão de não colocá-la na creche, mas sempre cientes de que qualquer decisão pode ser revista e repensada em qualquer tempo.
Hoje, finalmente estamos mais tranquilos para pensar no futuro e nas múltiplas configurações de trabalho que o mundo nos proporciona. Hoje eu sei que escolhi um parceiro que sempre estará ao meu lado, pronto pra o que der e vier. No próximo post vou falar mais sobre como tem sido a paternidade ativa aqui em casa.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Notícias

Mais de dois meses sem notícias e eu ainda volto aqui.
E tanta coisa aconteceu, e tanto já mudou e os rascunhos já não fazem o menor sentido. E nem leitores eu devo ter.
Mas eu ainda espero que esse blog esteja aqui como um registro, para que Helena saiba o quanto foi desejada, esperada e querida.
Já não me recordo das particularidades de cada mês, dos primeiros saltos de desenvolvimento, do baby blues (ainda bem que postei sobre ele), das dificuldades. E começo a entender porque com o tempo a maternidade se torna tão doce, e os relatos de parto tão belos.
Nesses meses que se passaram eu tentei voltar a trabalhar, desisti, nos mudamos, passamos por uma crise de relacionamento, pensei em jogar o bebê pela janela uma dúzia de vezes, pensei em sair correndo também, escrevi e idealizei alguns projetos, desisti de outros, sonhei com chupetas e mamadeiras em muitas noites, fiz muita cara de alface, começamos a IA, criei o instagram do blog (@pequenoprevisto), uma página no face e estamos trabalhando em um layout personalizado.
Então espero que os próximos dias, semanas e meses sejam de produção e finalização de muita coisa por aqui, espero colocar as postagens em dia e atualizar sobre tudo o que Helena nos trouxe e vem trazendo.
Vem comigo?

quinta-feira, 5 de março de 2015

Amamentação

Acho que todas as mães, após o relato de parto, deveriam publicar um relato de amamentação. Porque assim como não é fácil parir, não é fácil amamentar, e eu acredito que a não amamentação tenha consequências tão duras - senão até mais - que o parto cheio de violência.
Não vou falar aqui sobre as recomendações dos órgãos de saúde, ou orientações para amamentação, isso está a disposição na Caderneta de Saúde da Criança e em grupo do facebook como o GVA (Grupo Virtual de Amamentação), ou também no Banco de Leite mais próximo.
Primeira Mamada da nossa vida - 2,900kg 47,5cm
Eu sempre sonhei com a amamentação, me emocionava com aquelas propagandas do Ministério da Saúde que mostram a mãe cheia de leite com o rebento gordinho agarrado no seio. Assim como queria parir, eu queria amamentar.
Não amamentei Helena na primeira hora de vida, quando ela nasceu não tive o instinto de colocá-la no seio. Apenas fiquei com ela nos braços, depois ela foi para a vitamina K e colírio, e então quando voltou estava dormindo. Ali a enfermeira colocou meu seio na boca dela, ela sugou muito pouco e soltou. Eu não me preocupei, pois sabia que os bebês nascem com energia para as primeiras horas de vida.
Seguimos para o quarto e meu único medo era não ter alta no dia seguinte, só pensava em ir pra casa logo e sabia que para isso a amamentação precisava estar estabelecida. Algumas horas depois, veio outra enfermeira e novamente colocou meu seio na boca dela, dessa vez ela pegou e ficou. Nos primeiros dias Helena era um reloginho, 30 min de mamada a cada 3 horas (em média, nem sempre eu olhava o relógio). Sempre que uma enfermeira entrava no quarto e perguntava sobre a amamentação eu dizia que estava ok, mas Helena não pegava o seio direito. Nossa doula foi nos visitar e relatei a ela, que me orientou a tentar colocá-la para dormir em outra posição e também tentar outras posições ao amamentar.
Tivemos alta e dois dias depois eu acordei no meio da noite com os seios endurecidos e com a camisola molhada, meu leite tinha descido. Então começaram as dificuldades! Meus seios ficavam muito cheios e Helena, muito pequena não conseguia abocanhar a aréola, quando ela conseguia descia muito leite e logo ela se engasgava, desistia e chorava. Foram dias longos, eu conversava com a doula, com azindia do zap zap, ordenhava, massageava enquanto o pai ou minha mãe a acalmavam e oferecia o seio. Era tão difícil fazê-la pegar que mesmo com a pega errada eu a deixava mamar, e com o passar das mamadas meus seios começaram a ficar machucados. Meus dias se resumiam a ordenhar, amamentar, passar leite na aréola, deixar secar, ordenhar e assim por diante. Nesses dias minha mãe foi a salvação, ela cuidou de tudo para que eu pudesse cuidar somente da Helena - ela cuidava de mim também, minha comida, roupa era tudo com ela.
O mais difícil eram as noites, o papai ficava sem paciência, dizia que Helena estava sendo preguiçosa e eu chorava mais ainda e o bebê ficava mais agitado. Nesses dias eu agradecia por nunca ter deixado chupetas e mamadeiras entrarem aqui, porque eu sempre pensava: amanhã eu compro uma e taco na boca dela, e o amanhã nunca chegava, porque as manhãs das mães que amamentam são sempre melhores que as noites. Rsrsrs
Hoje, eu vejo como tudo isso passou rápido, na maternidade tudo passa, você nunca é a única, e a próxima fase é sempre mais difícil. No salto de desenvolvimento do primeiro mês, quando eu pensava que tudo já estava estabelecido, Helena desaprendeu a pega e recomeçamos o processo.
Eu aprendi que temos a tendência de endeusar tudo que envolve a maternidade, não amo amamentar, o ato de amamentar. Amo saber que estou nutrindo minha filha, que meu leite tem nos mantido até aqui e que tudo que ela precisa até o sexto mês de vida eu posso produzir. Nos mantivemos fiéis ao nosso objetivo de não nos render aos bicos artificiais e aqui estamos, firmes, fortes e plugadas.
4m16d - 7,400kg 67cm

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Ensaio Fotográfico II

E eu fiquei devendo as fotos do nosso Ensaio Fotográfico Gestante né!
Ganhamos um ensaio da Jéssica Melo Fotografia e foi um momento super especial com um resultado encantador

Aí vão nossas fotos:









segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Helena

Nasceu!
14 de outubro de 2014
Às 3hs da manhã
2,950kg
47,5cm
Estamos organizando tudo, logo volto com mais informações

22 dias

Primeiro preciso pedir desculpas aos blogueiros amigos, o puerpério não é fácil e ainda não consegui visitar os blogs e me atualizar dos acontecidos, nem ler emails. Aliás, mal e mal consigo me atualizar das mensagens enviadas pelo face e whatsapp. Tenham paciência com a recém mãe aqui, espero que logo eu me organize e possa visitar cada cantinho e retribuir tanto carinho que sempre recebo por aqui.
Hoje Helena completa 22 dias fora da barriga, amanhã é nossa DPP, dia em que completamos 40 semanas unidas, 280 dias de nós duas.
Nesses 22 dias é a primeira vez que sento diante do netbook para escrever, o último post foi pelo celular, e por isso tão mal formatado. Meu relato foi escrito entre madrugadas, enquanto Helena dormia ao meu lado. Eu poderia ter esperado mais tempo para escrevê-lo, mas a cada dia que passava a sensação real se tornava mais distante e dava espaço a uma emoção romântica, algo surreal entre contos de fadas e histórias doces. Eu não queria uma história bonita, queria a minha história real, e assim foi.
Meu parto me doeu! Isso pode ser inaceitável pela sociedade, mesmo a ativista. Tive um parto que a maioria das mulheres sonha, um parto rápido, um expulsivo tranquilo. "Livrei-me" da tensão e dos incômodos da reta final da gestação. Mas eu não sou a maioria, não tenho os mesmos desejos de outras mulheres, e honestamente peço apenas compreensão e respeito. Chorei meu luto, pelo meu parto rápido e prematuro, por resistir à dor, por estar sozinha. Chorei perder os "incômodos" da reta final. O parto é meu, a gestação é minha e eu queria tudo isso, eu planejei viver tudo isso, e é legítimo o meu sentimento de frustração por não ter vivido.
Mas ao mesmo tempo a felicidade é sem tamanho, pelo parto, pela dor (que foi muita, e que eu não esqueci e nem quero esquecer), pelos limbos que ainda estão sendo preenchidos, por ter minha filha nos braços em seu primeiro minuto de vida, por sentir seu cheiro, seu gosto, ver seus olhos se abrindo, ouvir um quase choro tão suave, isso tudo é único, não se repete e (in)felizmente não registramos, está somente na memória e eu sei que nunca esquecerei, fecho os olhos todos os dias e estou lá, gritando em um momento e sorrindo no momento seguinte. Essa sensação, quem opta por não parir nunca vai sentir ou entender, como uma dor tão intensa se acaba em instantes.
Logo após parir, eu me levantei sozinha da banqueta e caminhei até a maca, uma hora depois me levantei da maca e caminhei até outra maca para ser transferida, duas horas depois tomei banho sozinha, no mesmo dia caminhei pelo corredor do hospital com minha filha nos braços, no dia seguinte tivemos alta e só dormi 3 dias depois. O cansaço era imenso, mas a alegria, o êxtase não me deixavam pregar os olhos, como seu eu fosse perder o tempo dela, tão escorregadio.
Ainda tenho muito a escrever sobre esses 22 dias, e os próximos que virão, mas por hora é o bastante.
Acrescentando algumas informações:
Apesar de prematura, Helena nasceu muito bem, Apgar 9/9, não necessitou nenhum cuidado além da companhia e colo da mamãe, ambas tivemos alta na manhã seguinte ao nascimento.
O parto ocorreu no Hospital Universitário de Florianópolis.
Não fiz nenhum preparo do períneo para evitar laceração.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Relato de Parto - HU Floripa SUS

Eu desejei um trabalho de parto longo
Desejei gestar além das 40 semanas
Sentir a areia nos pés durante o trabalho de parto
Conhecer as ondas sobre as quais tantos falam
Montei uma lista de músicas
Pensei no que gostaria de comer, nas pessoas que estariam por perto 
Não idealizava um momento perfeito, mas contava com alguns ingredientes que julguei necessários
DPP 06 de novembro de 2014
Por volta de 29 semanas, Helena dava sinais de sua vinda. Comecei a sentir dores intensas nos quadris, uma vontade de rebolar, agachar, ficar de quatro. Mas eu sabia que tudo isso é normal, que mesmo sentindo isso o TP poderia engrenar muito mais tarde.
Com 32 semanas e 6 dias perdi uma parte do tampão mucoso, já sentia contrações de treinamento constantes. Por esses dias me surgiu uma sensação, talvez Helena chegasse em Outubro. Não queria dar muita atenção ou criar expectativas sobre isso, sabia que o tampão se refaz, segui apenas observando.
Foram dias de introspecção, necessidade de silêncio, afastamento. Programei atividades para a reta final, cuidar de mim, curtir a barriga. Fiquei extremamente sensível, chorando sem motivo aparente e pelos motivos mais banais.
35 semanas, mal estar,  leve alteração de pressão, muito inchaço,  ainda assim tudo seguia normal, eu sabia que esses desconfortos estavam no pacote.
36 semanas e 3 dias enjoo, dor de barriga, desconforto abdominal, dor de cabeça. Uma noite mal dormida e no dia seguinte acordei com mais tampão, cansada mas muito ativa, arrumei algumas coisas em casa. Após o meio dia começaram cólicas chatas, parecidas com menstruais, essas vinham em ondas, esse era o momento de ir até a praia, mas eu não dei crédito a elas. Em uma onda o Ricardo me olhou e disse: tu tá com cara de quem vai parir hoje. Ignorei.
Conversei com as doulas, a Carol me orientou a descansar, ficar no escuro em silêncio. Passei a tarde com contrações irregulares e desritmadas, deitei, ouvi as músicas da playlist do parto, decidi excluir algumas. Às 17hs tudo parou, como se nada tivesse acontecido. Ricardo me preparou um lanche.
Precisava descansar mas me dei conta de que nada estava pronto, lavei algumas roupinhas, organizei documentos, bolsa, berço. O Ricardo quis chamar minha irmã para passar a noite comigo, mas eu estava bem, incrédula de que seria logo, afinal ainda seria um parto prematuro, eu precisava de tempo (Helena não). Ele foi trabalhar e eu fiquei em casa, ainda não estava bem, não me alimentei direito. Às 21h fui preparar algo para comer, sentei para procurar um filme, relaxar, nesse momento senti a primeira Contração, assim com C maiúsculo, essa foi diferente de todas as cólicas que eu vinha sentindo. Algumas mulheres relatam sentir cólicas ou mesmo uma dor de barriga, mas aqui não foi nada disso. Sabe quando falam que você saberá quando for uma contração? Que é uma dor inexplicável? Pois é. Dói muito!! É um negócio que vem pelas costas e desce até as pernas, algo entre um choque e uma pancada. Eu estava sentada e saí caminhando, não sabia o que fazer, me joguei na cama e gritei, não queria sentir aquilo, resisti muito à dor, tive dificuldade em encontrar uma posição "possível" de suportar, eu gritava e resistia, eu negava, pedia para parar, chorava. Falei com a doula e comecei a contar, estavam vindo a cada 10 min, ela pediu que eu tentasse descansar, ainda havia muito pela frente, eu só pensava que não aguentaria esse muito, queria dormir, precisava de uma noite de sono, meu corpo estava muito dolorido e cansado, minha cabeça não funcionava, eu não conseguia fazer o que precisava.
Estava em contato com a Carol, que logo viria, ela ia me orientando.  Escrever, conversar ou descansar entre as contrações era uma tarefa quase impossível,  fui para o chuveiro com a intenção de que parasse, eram tantos relatos em que as dores diminuíam com um banho quente. Lá fiquei de quatro, deixando a água bem quente cair sobre a lombar, era a melhor posição possível, ainda assim não consegui relaxar, voltei pra cama. Sabia que deveria tentar me movimentar, rebolar, etc. Mas meu corpo pedia descanso.
Às 23hs o intervalo reduziu para menos que 5 min, com duração de 1min, voltei para o chuveiro e elas seguiram nesse ritmo até meia noite, quando parei de contar. Eu me sentia extremamente vulnerável e desprotegida, queria muito alguém perto, precisava de alguém que segurasse a minha mão, eu parecia estar andando em uma estrada abandonada, cada kilometro a frente era desconhecido e assustador. Precisava lembrar o propósito da dor, mas não conseguia.
Às 1hs da manhã decidi chamar minha irmã, eu sabia que ela chegaria nervosa e tensa, mas pensei que pudesse contornar a situação se explicasse o que precisava e se ela mantivesse contato com a doula. Como previsto, ela ficou muito assustada ao me ver com dor, pediu que fôssemos para o hospital,  eu ainda não queria ir, queria mais tempo, queria relaxar primeiro, mas ao mesmo tempo eu sabia que o Ricardo estaria lá, o tempo todo ele foi minha fortaleza e eu sabia que com ele tudo ficaria bem. Concordei em seguir para o hospital, caía um temporal em Floripa naquela noite e meu cunhado não conhecia o caminho. Entre as contrações eu orientava minha irmã a terminar de arrumar minha bolsa e me vestir. O Ricardo nos encontraria no meio do caminho e conduziria até o hospital. O caminho foi extremamente doloroso. Deitei de lado no banco de trás, com vários travesseiros. Pedi meias pois sentia frio nos pés. A cada lombada ou curva eu gemia e gritava de dor, além das contrações. Antes de sair de casa pedi que a Tamara pegasse sacolas pois estava enjoada, já no meio do caminho ela me alcançou uma sacola, vomitei no carro. Eu gritava pedindo pra descer, para chegar logo.
Chegando lá vi Ricardo na porta do carro, meu porto seguro, relaxei. Disse a ele que já não aguentava mais, que não conseguiria. Ele me segurou firme e me encorajou, estava seguro e em paz, sua voz e suas mãos era firmes. Pediram uma cadeira de rodas, mas eu sabia que precisava caminhar, e que a dor era muito mais intensa sentada. Fizeram o registro e subimos até a maternidade, Ricardo pediu que eu subisse na cadeira pois seria mais rápido. Eu não pensei em anestesia, mas queria um intervalo entre as contrações, eu pensava que poderia aguentar mas não naquele momento, daquele jeito. Eu desejei que fosse diferente. Mas já não havia mais o que esperar ou desejar, era o momento, o momento dela e não o meu. O Ricardo foi maravilhoso desde o momento em que nos encontramos na maternidade, suave e gentil, me encorajando o tempo todo, foi elogiado por toda a equipe do hospital. Chegamos na triagem, pressão ok, me pediram para deitar para ouvir o bcf do bebê e fazer o toque, o segundo em toda a gestação. Deitar de barriga pra cima era dolorido, eu me virava durante as contrações. Depois de muita insistência e apoio do Ricardo consegui enfim ficar parada, batimentos ok, na hora ela não falou quanto de dilatação,  apenas que eu estava muito bem. Fiquei pensando, quanto é esse muito bem? Eu só lembrava que logo eu poderia ir para o chuveiro. Tinha muitos papéis para preencher, fizeram as mesmas perguntas para o Ricardo e depois para mim mais de uma vez enquanto isso eu ficava sentada no consultório. Em algum momento passei a ficar de quatro durante as contrações. 
A médica sentou-se diante de mim e explicou,  para o parto você precisa ter 10cm de dilatação, agora você está com 8cm, isso é ótimo, vc já ultrapassou 2/3 do caminho. Um dos meus desejos era chegar ao hospital com pelo menos 8cm, nesse momento fiquei aliviada. Sabia que ainda tinha estrada a frente, mas muito já tinha caminhado, podia avistar o topo da montanha. Dali fomos até a sala de pré parto, eu caminhava com a ajuda do Ricardo e durante as contrações me colocava de quatro no chão e gritava, em algum momento senti uma água escorrer durante as contrações, acredito que tenha sido a bolsa, a partir daí cada contração eu sentia vontade de fazer força e mais água escorria. Encontramos uma enfermeira no corredor que pediu que eu caminhasse sozinha, que o Ricardo parasse de me apoiar, assim fizemos e segui caminhando, ela disse que não me colocasse de quatro mas ignorei e segui atendendo meu corpo. Quando entramos no pré parto, novamente precisei ficar deitada para ouvir os bcf e verificar a dilatação. Dessa vez eu estava mais disposta, segurei firme a mão do Ricardo e aguentei. Dilatação total me disse o médico, só falta o bebê descer. Nessa hora alguém falou "há 40min estava com 8cm" eu perdi completamente a noção do tempo, parecia muito menos. Nessa hora entendi que não me deixariam ir para o chuveiro, fiquei de lado na cama e apertava os braços do Ricardo, logo vieram com soro explicando que eu precisava tomar um antibiótico pq estava em tp prematuro. Dissemos que eu não queria soro, e explicaram novamente que não era ocitocina, falaram o nome do antibiótico mas eu já não conseguia pensar, principalmente porque não conhecia os riscos de um tp prematuro, permiti. O médico retornou e pediu que eu ficasse novamente para cima, já dava pra ver o cabelo da Helena. Nesse momento me pediu pra fazer força mesmo fora da contração para ver o cabelo dela, ignorei. Logo veio uma contração e ele me pedia pra fazer força, fiz e me diziam que estava errado, era pra fazer força "embaixo" e não no pescoço, me pediram pra encostar o queixo no peito. Ricardo perguntou se eu ficaria na cama, pois sentia muita dor e não queria parir assim, responderam que seria assim. Ele insistiu, trouxeram a banqueta. Notei um relógio em frente a cama 2h50. Desci e sentei na banqueta, as contrações já estavam bem próximas, segui meu corpo que já fazia a força durante a contração, o corpo de Helena descia, mais uma e senti a cabeça dela saindo, e todos diziam a cabeça está aqui, eu não olhei, precisava me concentrar para ajudar meu corpo, ajudar minha filha, mais uma contração e senti o corpo dela deslizando suavemente, agarrei ela das mãos do médico e coloquei no meu peito. Não a coloquei no seio, não pensei em amamentar, apenas queria sentir seu cheiro, sua pele, olhar em seus olhos. Essa parte é verdade o que dizem, tudo desaparece, o mundo, a dor, o tempo. Ouvi alguém dizer: três horas. Helena nasceu às 3hs. Nasceu coberta de vernix, branquinha, quentinha, com seu cheiro único, de olhos abertos, não chorou apenas resmungou, e me olhou nos olhos, e olhou seu pai. Sentir esse corpo sobre o meu naquele momento exato, é como o fim do mundo, o fim da vida, o fim do tempo. O meu tudo estava ali naquele momento. Não chorei, apenas sorri e agarrei minha pequena, tão pequenina quanto eu jamais poderia sonhar. Disseram que o cordão ainda estava pulsando, toquei o cordão que ainda nos ligava, ainda nos fazia uma, agradeci por pulsar. Ele parou e perguntaram se o Ricardo gostaria de cortar, ele cortou o cordão. Nesse momento aplicaram ocitocina na minha perna para a saída da placenta. Não me perguntaram, apenas aplicaram, só entendi depois o que era. O médico segurou o cordão e deu um pequeno puxo, me avisou que eu sentiria uma cólica, senti apenas a placenta descendo. Me inclinei sobre Helena e a vi, agradeci pelo seu papel, por alimentar e nutrir minha filha. Logo levaram Helena para a vitamina k e colirio e  o Ricardo foi junto. Me avaliaram na cama, sem laceração, essa me pegou de surpresa, eu realmente não contava com um perineo íntegro. Fiquei ali, sozinha, esperando, feliz. Tinha acontecido. Eu pari!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

27° semana

Então que eu já sou uma pessoa naturalmente inquieta e pensativa, imagina grávida.
Aquela ansiedade estava me incomodando e não fazia parte de mim, pelo menos não da Tamires Gestante, era algo antigo, algo que preciso curar e trabalhar, algo que eu não quero que faça parte do meu presente.
Só que eu estava tentando driblar esse sentimento, ao invés de ir de encontro a ele e entender o que o estava causando. E então que, conversando com a minha doula e amiga de coração (que não poderá me acompanhar no parto mas é a pessoa que sempre esteve mais próxima a mim, desde o momento tentante) ela me falou algo que fez todo o sentido. Eu estava até algumas semanas atrás com uma sensação de controle, estava decidida pelo Parto Domiciliar com uma equipe que eu amo e com a qual estava muito envolvida. Porém, acontecimentos recentes (que tiveram início com a nossa mudança de Estado) nos levaram a reprogramar essa ideia, e então optar pelo Parto Hospitalar. Desfizemos com a equipe e estamos em busca de uma nova doula, o que para mim está sendo difícil, eu já tinha um vínculo e fico desanimada em recomeçar a essa altura da gestação, e por isso também vou adiando novos encontros.
Trabalhar com as mãos
Isso tudo me fez ficar desatenta, deligada de mim e também da Helena. No fim, a gente sabe que não tem controle sobre nada, mas a falsa sensação de que temos nos traz uma segurança e a ausência desta pode descontrolar tudo, principalmente quando encaramos a gestação de forma tão consciente e psicológica.
Sim, a ansiedade ainda está aqui, mas agora eu a compreendo e posso fazer mais e melhor contra ela.
Algo que em muitos momentos me enlouquece é passar o dia em casa "sozinha", acabo perdendo muito tempo fazendo nada, o que me frustra. Até agora, e quase adentrando o último trimestre temos muito pouca coisa para a chegada da Helena. Isso não me preocupa, porém comecei a sentir uma necessidade de aprontar o "ninho", e fazer algumas coisas para ela. No próximo post falo mais sobre isso.
Tenho me ocupado também com o Chá, que eu não sabia se faria ou não, mas já que abri mão do parto, nos sobraram algumas economias e poderei viajar a Porto Alegre para ver minhas amigas e família e comemorar a vinda da Helena.
Reconectar!


sexta-feira, 18 de julho de 2014

23º Semana

Então que o grande marco dessa semana foi a descoberta do sexo da sementinha (agora oficialmente com A).
Então que ela já não é mais uma sementinha, já tem seus cerca de 600gr.
Então que eu errei, minha intuição falhou, meu sonho era só um sonho (como todos os sonhos).
Então que eu podia ser uma pessoa normal e tranquila e simplesmente pular de alegria por saber que seremos pai e mãe de menina. Mas não...
Acreditem, eu não quero ouvir nenhuma teoria psicótica sobre como minha filha se sente sobre isso. Minha cabeça já cria teorias psicóticas suficientes durante o dia e a noite (a insônia pega forte aqui). Já que ando num clima de posts mais reflexivos do que objetivos, e a ideia do blog é registrar as reflexões e emoções do tempo presente, aqui estou eu escrevendo sobre tudo que pensei desde a descoberta do sexo.
Eu nunca acreditei que sonhos pudessem ser uma premonição, eu sonhei com o Pedro e hoje vejo que o Pedro era o meu medo. Sim, eu fiquei apavorada em pensar ser mãe de menina, não porque eu pense que ela vai ser como eu (eu fui uma criança muito difícil). Mas nós vivemos em mundo extremamente machista e cruel com as mulheres, eu sofri durante boa parte da minha vida simplesmente por ter nascido mulher, levei anos para aceitar que não faço parte de "nenhuma incrível geração de mulheres", entender que ninguém merece ter um rótulo, compreender meu corpo (formato, ciclos, diferenças), aceitar a mim mesma como sou e entender que meu corpo me pertence e não é objeto de ninguém. Para o mundo todo eu sempre estive "fora do padrão", ainda hoje vejo pessoas que não aceitam o fato de eu gostar do meu corpo "arredondado", ou de eu querer estudar, ou não querer estudar, ou entender minhas imperfeições como parte da minha individualidade, ou mesmo de não estar lutando contra as mudanças que a gestação tem me causado. Eu amo tudo isso, mas o caminho até aqui não foi um mar de rosas. E sim, me assusta pensar que estou trazendo uma menina a esse mundo, e talvez não saber como ensiná-la a se proteger, a amar a si mesma com suas particularidades. Pois é, talvez eu devesse ter pensado nisso antes de engravidar.
Não, não estou arrependida! Não voltaria atrás! Não faria nada diferente!
Acredito que para tudo há um propósito e bem, essa alma nos escolheu assim desse jeitinho. Ela deve ter seus motivos para querer nascer aqui, com a gente. E ela sabe que a mãe dela não é uma pessoa normal, que simplesmente aceita tudo o que acontece. Eu preciso questionar as coisas, entender meus pressentimentos, compreender que essas intuições podem ser traduzidas na verdade em angústias (como a vontade que tenho de chegar às 42 semanas de gestação). Esse é o tipo de trava que pode surgir lá no meu trabalho de parto, é o tipo de medo que se eu não trabalhar e refletir agora (e entender que sim, eu posso ser uma mãe decente de menina), pode nos atrapalhar mais tarde.
Sobre a US não tem foto, mas nossa menina está bem, peso estimado de 623gr (+ 100), todas as medidas conferem com a IG, exceto a cabeça que está um pouco maior (puxou à mamãe), e segundo a médica será uma menina alta (como a mamãe tb).
Sobre o nome: não temos. Temos algumas opções, mas até agora eu sei que nenhum desses é o nome dela, então sigo esperando que ela encontre uma forma de nos mostrar quem é, qual seu nome. Tudo sem pressa, com carinho, com amor. Temos até o dia em que ela nascer pra isso...

segunda-feira, 14 de julho de 2014

E...


Logo volto com mais informações...

O presente

Tenho sentido inspiração em escrever sobre outros assuntos, além dos acontecimentos que envolvem a gestação. São registros de acontecimentos internos, que vão além do nosso simples dia a dia. Eu aprendi, a um alto custo (crises de ansiedade, antidepressivos, terapia) a viver o momento presente. Sei que sou jovem para pensar que encontrei um modo de vida através da experiência, posso ter pouca, mas experiência é algo muito pessoal, individual. Não se compara, e não se mede em tempo, cada um de nós passa por aquilo que precisa, pelas consequências de suas próprias escolhas, pelas necessidades que criam o seu próprio crescimento.
É difícil estar focada no momento presente quando se está tentando. Queremos viver o sonho de ser mães, de gestar, carregar uma sementinha em nosso ventre. O que eu fiz? Investi em conhecer meu corpo, viver o período de tentativas, e assim eu bebi, fiz trilha, visitei cachoeiras, brindei, namorei, me exercitei. E foram quatro ciclos gostosos. Essa semana eu estava olhando o Diário da minha gestação (um caderno simples onde escrevo o que nos acontece e mensagens para nosso baby) e encontrei o dia em que escrevi esse post. Percebi que fevereiro foi um mês muito inspirado e tranquilo. No fundo, talvez eu soubesse que seria O Mês, ou não, apenas estivesse aprendendo a lidar com o fato de que eu era uma tentante e poderia ser a qualquer momento e minha vida não ia girar em torno disso.
Hoje enquanto gestante procuro viver intensamente cada segundo, ver a barriga crescendo, sentir as mexidas se multiplicando. Esses dias estava conversando com outra gestante e descobri que não sou a única que não me emociono em Ultrassons, e também não fico emocionada ao ouvir o coração nas consultas. Fico muito feliz, abro um sorrisão de orelha a orelha, fico com cara de retardada, é isso. Mas há momentos em que me emociono, e marido fica em pânico porque começo a chorar assim "do nada". E é assim mesmo, tem dias que é medo, mas em outros é simplesmente alegria por estar vivendo, alegria que transborda em lágrimas. Como diz uma amiga lá do face, me sinto uma gestante de segunda viagem. Só fiz mais de um US até agora por emergências, não tenho pressa nenhuma em saber o sexo ou o nome do baby, não comprei nenhuma peça do enxoval, nem tenho lista de enxoval, não fiz suplementação com vitaminas desnecessárias, fiz somente os exames necessários.
Enfim, estamos aqui. Vivendo cada dia do nosso presentinho, aproveitando para conversar até tarde, assistir filmes, sair na chuva, não ter rotina. Porque sabemos que muito muda quando um bebê chega, e claro que eu penso em como ele será, penso em como será quando ele chegar aqui, mas não é o foco. O foco está no agora, em viver a barriga, amar meu corpo se arredondando e criando novas curvas, me conectar com esse lindo ser que me habita. Isso tudo é fantástico!

sexta-feira, 11 de julho de 2014

22° semana

Acho que chega um momento em que não existem novidades gestacionais para se contar. As mudanças hormonais se estabilizam, as mudanças pelas quais o bebê passa se estabilizam também, ele já nos ouve, nos entende, já tem os órgãos funcionando, e passa a ganhar peso e crescer. Nós ficamos mais estáveis também, nosso corpo está sabendo lidar com o aumento de líquidos, sangue, hormônios.
Passamos a sentir os movimentos do bebê, o que nos faz mais felizes e calmas.
Essa semana tivemos consulta pré natal, e mais uma vez foi muito bom, tranquilizador, esclarecedor. Pela primeira vez conseguimos ouvir o coração sem remexer muito e bem nitidamente. 144bpm. Meu peso se estabilizou, ganhei só 1kg nesse mês, os resultados dos exames de sangue e urina estão muito bons, não foi necessária nenhuma complementação vitamínica.
Teremos US segunda-feira 14/07 e o fim da questão: Menino ou Menina?
Ontem participamos também de uma Roda de Gestantes sobre Gestação Prolongada e Parto Pélvico. Muito bacana, amo participar dessas rodas e indico a todos os interessados no assunto, gestantes ou não. Para mim tem o efeito de uma terapia, conhecer pessoas, a realidade do local onde vivo, relatos de gente de verdade. Além de que para mim é a atividade em que posso sair de casa, ver gente, bater papo.
23 semanas
Estou chegando a conclusão que a vida de "dona de casa" pode não funcionar tão bem assim, pelo menos para mim. Por mais que eu me ocupe com a casa, o crochê e eventualmente faça algum atendimento como cabeleireira sinto falta de sair, conversar sobre várias coisas, ver pessoas diferentes. Talvez eu retome os estudos nesse semestre, para mudar um pouco o foco no final da gestação, distrair a cabeça.
Sinto que estou imersa demais no mundo de gestação e partos e tenho percebido a necessidade de mudar um pouco, pensar em outras coisas, gastar energias. Acho que comecei a me informar tão cedo, que hoje já tenho as informações de que preciso, então preciso me focar em mim, em nós. Trabalhar mais o autoconhecimento, desfazer sombras, desmanchar travas.
Enfim, veremos como seguirão as próximas semanas...

domingo, 6 de julho de 2014

19°, 20° e 21° semanas

E assim se passaram três semanas sem posts...
Agora estamos definitivamente instalados e conectados nessa rede maluca chamada internet, acredito que começarei a manter as postagens em dia.
E nessas últimas semanas, pouca coisa aconteceu. Os sintomas continuam controlados, as costas ainda incomodam um pouco, a dor de cabeça aparece de vez em quando, andar de ônibus ainda é complicado, mas tudo sob controle e o segundo trimestre segue sem necessidade de medicação.
E andamos sonhando, sonhei com noss@ pequen@ e acordei com uma sensação tão gostosa, sentindo a presença del@ tão pertinho, um cheirinho de lavanda. E no dia seguinte o papai sonhou com o parto, na nossa casinha, só nós três.
Andei pensando em tanta coisa pra escrever nesses dias, tanto assunto, mas agora tudo meio que sumiu.
A gestação é um período tão cheio de reflexões, noites em claro, pensamentos, interiorizações. Tenho me sentido tão diferente, não só fisicamente, mas é uma cascata de momentos positivos.
Essa conexão tem me levado a encarar a vida de uma forma leve e tranquila. Entender que há um turbilhão de hormônios e sensações percorrendo meu corpo, e por isso é necessário paciência comigo mesma, com meu corpo, com as pessoas ao meu redor.
A insônia tem aparecido por aqui, às vezes acordo sentindo as mexidas do baby e fico uma hora ou duas sem conseguir pegar no sono, só pensando. Há dias em que penso bobagem, e há aqueles em que só converso com ele, às vezes converso em silêncio para não acordar o papai.
Tenho focado em me estabilizar emocionalmente, trabalhar minhas emoções, dificuldades, traumas. Como remexer um velho baú de lembranças e tirar o pó, retirar as teias de aranha, descartar e reciclar. Acho fundamental esse "trabalho" durante a gestação, quem dera tivesse começado antes. Acredito em pais estáveis muito mais do que em qualquer método de criação ou adestramento. Acredito que as crianças sejam aquilo que os pais são, não aquilo que tentam demonstrar publicamente.
O que me leva a pensar que estou muito mais sensível que o normal, costumava ser bem mais racional. Mas não me emocionei quando ouvi seu coração, ou quando o vi no US. Na verdade estávamos tão assustados nos US que tivemos que foi mais um suspiro de alívio. Mas me emociono todos os dias, quando sinto uma mexida, quando vejo como a barriga cresce, quando me sinto iluminada e de bem com a  vida e com o meu corpo.
Esse post virou uma bagunça, mas assim é a cabeça de uma gestante. Um emaranhado de fios desencontrados e confusos. No final, nada faz sentido mas tudo se encontra.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

17° semana

Por aqui seguimos, cada semana mais tranquilos, confiantes e conectados.
Os sintomas seguem os mesmos, acrescentando um leve refluxo após as refeições.
Me sinto passando aquelas fases em que tinha dias que me sentia mal ou feia, passei a me sentir ótima todos os dias. Amo o frio, e estou com saudades do frio de verdade lá do sul, mas ao mesmo tempo feliz de poder usar roupas mais leves e exibir o "projeto de barrigão". Finalmente, comecei a entrar nas filas preferenciais, sempre com bom senso.
E aí está a nossa casinha, é pequena, mas cheia de muito amor, muita natureza, muito verde. Fico só imaginando meus pés na grama durante o TP, e baby brincando nesse gramado.
Hoje tivemos a consulta mensal com a médica da família. Estamos muito satisfeitos por conhecer e testemunhar o SUS que dá certo, até demais. Chegamos lá, a médica perguntou como me sinto, se a gestação foi planejada, como está o papai, se eu tinha um palpite sobre o sexo, se eu queria saber, sobre o marido também. Deu várias dicas sobre alimentação, exercícios e métodos alternativos para alívio dos incômodos. Falou sobre o parto normal, sobre os benefícios para a mãe e o bebê.
Resumo: nos apaixonamos! Ouvimos o coraçãozinho que estava a 148bpm, medimos a altura uterina (aqui nem se fala sobre toque, já que a médica não é GO) e eu ganhei um puxão de orelha: engordei 2kg em um mês :(. Mas me incentivou a retomar os exercícios (finalmente liberados e que nunca deveriam ter sido suspensos), passei na fruteira e já recheei a geladeira com coisas deliciosas e saudáveis. Estamos caminhando diariamente e nos exercitando na academia da terceira idade (hehe), são aqueles equipamentos que a prefeitura coloca em praças da cidade.
Essa semana teremos duas rodas de gestante, amanhã e sábado. Espero que seja muito bacana.
Pra finalizar, foto da barriga:


domingo, 1 de junho de 2014

16° semana

E naquela semana em que nada de novo acontece, cabe uma foto em tamanho grande, não é!?
Aqui seguimos com os mesmos sintomas: enjoo, dor de cabeça, dor nas costas e cólicas.
Finalmente voltei com meus exercícios diários, em ritmo leve. Estou fazendo caminhadas e alongamentos e espero que logo a pressão nas costas diminua.
Esqueci de contar que na semana passada completei 24 anos, último aniversário sem um baby no colo, primeiro com um baby no forninho. Minha irmã, cunhado e primos fizeram uma festinha surpresa, com direito a balões e bolo de chocolate com confeitos.
Como passei quase a semana toda participando dos eventos da Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento, esse foi meu maior presente e comemoração pelo aniversário.
Hoje estava conversando com outra gestante e me dei conta de uma informação que pode ser útil e que eu soube na semana passada. Segundo uma obstetra humanizada daqui da cidade, muitos hospitais estão trocando o Colírio de Nitrato de Prata pelo Bovidine (posso ter escrito errado). Esse Bovidine é semelhante a um colírio normal e não causa a mesma reação que o Nitrato de Prata (ardência, queimação, etc). Vale a pena nos informar e saber qual desses está sendo usado no hospital em que se pretende parir. Pelo que ouvi aqui no HU o utilizado é o Bovidine. o/
Essa semana temos consulta com a médica da família, então teremos novidades e um post menos mequetrefe que esse.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

15° semana

Seguimos semi ausentes por falta de conexão externa, já que a interna tá 100%.
Vamos então aos acontecimentos da última semana. Os desconfortos seguem por aqui, tive que pegar ônibus para participar da Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento e o resultado não foi nada bacana. A partir de hoje, só pego ônibus se for extremamente necessário (ou seja, para todos os eventos locais relacionados a parto/maternagem).
Roda de conversa com o grupo Mama Flora

Bênção do útero - chorei litros - eu to lá atrás de blusa laranja

Falando no evento maravilhoso que tivemos aqui na semana passada, foi tudo de bom! Marido participou, ficou todo cheio de si falando que já sabia de todas aquelas informações. Mas para mim serviu para conhecer a realidade local aqui de Floripa, ver que existe a possibilidade de um parto respeitoso pelo SUS, conhecer muita gente bacana, trocar ideias, informações. Enfim, a troca foi intensa e interessante.
Finalmente encontramos uma casinha pra chamar de nossa, já estamos instalados mas ainda sem acesso à civilização (hehe), e super conectados e em sintonia com o baby, conosco mesmos, tudo evoluindo lindamente.
Além dos enjoos, continuamos com todos os outros incômodos. Tem dias que eu choro, quero que tudo isso passe logo, me pergunto porque só acontece comigo, fico incomodada e chateada mesmo. Mas logo dedico um tempinho a me ouvir, entender meu corpo e perceber por quantas mudanças estamos (eu e bebê) passando e como precisamos de compreensão e paciência. Esses dois dons, marido tem de sobra e tem sido muito legal com a gente nesses momentos.
Conversamos novamente com a parteira e decidimos que faremos todo o possível pelo PD, porém sem surtar. Sabemos que existe uma opção bacana aqui, mas desejamos muito um PD, e lutaremos por isso. Estamos investindo na nossa sintonia com a equipe também, apesar da distância, estamos nos mantendo próximas e o apoio e positividade delas tem sido fundamental.
Cresce e cresce
Em uma das rodas de conversa da semana passada falamos sobre o bullying sofrido por nós, gestantes que optam por um pré natal e parto mais conscientes. Ao contrário do que as pessoas pensam, estou tranquila e feliz por saber que farei só mais uma US durante a gestação, estou sem nenhuma pressa de descobrir o sexo do bebê, e não temos nenhum nome em vista para nenhum sexo. Temos cinco peças de roupa que ganhamos e não pretendemos "montar" um super enxoval. Não tenho vontade de ver ou ouvir o bebê o tempo todo e só estou ansiosa para senti-lo mexer. Eu falo com el@ e @ sinto o tempo todo, sei que tudo está bem e estamos caminhando juntos.
Eu olho pra trás e percebo o quanto esses meses estão sendo maravilhosos a abençoados e estou muito satisfeita com tudo isso. Eu não sou a mesma pessoa que era em outubro do ano passado, quando decidimos que era a hora de ter um bebê, eu mudei, eu cresci e passei a defender ideais que nem fazia ideia que existiam. E hoje, sempre que alguém me procura com dúvidas, fico muito feliz em saber e ter informação para responder.
Esses poucos meses me tornaram mais madura, mais adulta e muito mais pensativa sobre tudo e sensível a tudo. É fantástico pensar que tudo isso poderia ser muito diferente, mas está sendo dessa forma e existe uma razão para isso. Não havia nada e de repente há uma vida que cresce a cada dia, pra mim isso é tão inexplicável.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

13° e 14° semanas

Sumi duas semanas de novo. Mas eu sei que o povo entende, consegui ao menos visitar os blogs amigos, desejar Feliz Dia das Mães às esposas, mamães, gestantes, tentantes e desejantes. Ainda estamos em processo de mudança, não pudemos ficar na casa que tínhamos fechado, não recomendo esse tipo de negociação à distância, pode ficar alguma informação escondida como foi o nosso caso, a dona da casa "esqueceu" de avisar que a casa estava em processo de compra. Preferimos procurar um outro lugar onde o contrato anual seja anual de verdade e agora estamos temporariamente na casa da minha irmã.
Os sintomas mais incômodos diminuíram bastante. O enjoo aparece mais quando ando de ônibus ou fico muito tempo sem comer (leia-se mais de duas hs). Dor de cabeça e na lombar seguem presentes e mantenho o repouso em dia para alívio.
Ainda não sinto o bebê, mas sinto como se meu útero estivesse puxando e repuxando, especialmente quando me movimento rápido ou me espreguiço. Quando deito de bruços já dá pra sentir uma bolotinha cutucando, e já não tem mais como esconder a barriguinha. Não há blusa ou vestido que não evidencie o formato arredondado da pessoa. Bem que a Talita tinha comentado que, com a chegada do segundo tri a barriga começava a aparecer muito rapidamente, e é verdade, eu tenho a sensação que cada dia que acordo ela está maior.
Hoje tivemos nossa primeira consulta aqui em Floripa, terceira do pré natal. Aqui, o sistema é bem diferente de Porto Alegre:
- Os exames solicitados no início da gravidez não são os mesmos, tanto que a enfermeira não entendeu alguns exames que apresentei. Eles pedem bem menos exames aqui, e não pedem US no primeiro trimestre.
- O pré natal é feito no posto de saúde, com um(a) enfermeiro(a) e um médico(a) da família, cada mês a consulta é com um deles e nem sempre será o mesmo(a) enfermeiro(a) ou médico(a). Ou seja, em gestação de baixo risco, não tem consulta com obstetra.
- O SUS só cobre um US durante a gestação, o morfológico do segundo trimestre.
- Aqui não tem Hospital de referência, tem duas maternidades e em caso de necessidade, posso recorrer a qualquer uma das duas, ou à UPA local.
Então, essa nossa primeira consulta foi com uma enfermeira, e foi muito bacana. Ficamos uma hora no consultório, ela atualizou minhas informações no sistema, me falou sobre os cuidados, os sintomas comuns, as vacinas, falei que não quero tomar a vacina da gripe e ela foi bem atenciosa, me explicou sobre a necessidade e a proteção mas deixou bem claro que não é obrigatório e eu devo saber tomar essa decisão. Falou que a anti tetânica e a da Hepatite seria interessante eu tomar, pois é necessário para a matrícula na Universidade mais tarde. Estamos pensando sobre isso. Ela ainda nos convidou para o Grupo de Gestantes que se reúne mensalmente, e nos mostrou uma cartilha de exercícios para gestante, elaborada pelo sistema local.
Mediu a altura uterina e ouvimos os batimentos do bebê. Na verdade eu não ouvi quase nada, pois segundo ela, o sonar não é muito moderno (rsrsrs), demorou bastante pra conseguir registrar os batimentos, mas no fim ele estava lá, a 154bpm. Nossa próxima consulta com a médica da família está agendada para 04/06.
Fiquei satisfeita com o atendimento e feliz com o sistema, prefiro ser atendida por enfermeirxs e acho bacana esse incentivo aos profissionais da enfermagem.
Por enquanto, as novidades são essas, espero voltar logo já na nossa casinha e mais tranquila.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

12° semana

E ontem completamos 13 semanas, a dois passos do paraíso...
Como estamos? Conforme dados estatísticos, estamos oficialmente no terceiro trimestre e conforme esperado os incômodos reduziram bastante. Desde o início da semana, estou na casa da minha irmã em Floripa, hoje fui abençoada com um lindo dia de sol pós feriado. Logo cedo corremos para a praia, e completamos aquela vontade que eu tinha já durante as tentativas de estar pertinho da natureza, com duas semanas, a sementinha visitou as cachoeiras e meditou lá comigo, e hoje, com 13 semanas entramos no mar. Renovador!
A viagem foi bastante complicada, não consegui dormir direito e mesmo com o remédio (foi a primeira vez que tomei remédio para enjoo o/) enjoei bastante. Desde que cheguei aqui, estou com dificuldade em dormir a noite toda. Acordo várias vezes durante a noite e levanto logo cedo, acredito que muito seja emocional, pois o momento em que mais sinto falto do Ricardo é esse.
Postei a primeira foto oficial da barriga nessa semana e o marido levou um susto. Uma semana longe e parece que esse bebezinho deu um salto, a barriga apareceu. Na verdade eu já estava acima do peso, mas o formato da barriga começa a mudar, e ela já está bem durinha. Hehe
Depois da viagem, o enjoo e a dor de cabeça diminuíram muito. Só enjoei com o cheiro do camarão, passei mal mesmo, pela primeira vez por causa de cheiro de alguma coisa. A dor nas costas também está mais leve, acredito que seja porque consegui caminhar e me alongar durante a semana.
A única coisa que não tem fim é a saudade. Ficar longe do marido está sendo a maior dificuldade aqui. Por isso, ele conseguiu adiantar a vinda, e na próxima semana já estará aqui.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Passadinha Rápida


Primeira postagem em terras catarinenses.
Ainda sem fotos da praia, mas fotinha da barriga na casa nova.
Logo volto com todas as novidades.
Bjinhoooos