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quinta-feira, 5 de março de 2015

Amamentação

Acho que todas as mães, após o relato de parto, deveriam publicar um relato de amamentação. Porque assim como não é fácil parir, não é fácil amamentar, e eu acredito que a não amamentação tenha consequências tão duras - senão até mais - que o parto cheio de violência.
Não vou falar aqui sobre as recomendações dos órgãos de saúde, ou orientações para amamentação, isso está a disposição na Caderneta de Saúde da Criança e em grupo do facebook como o GVA (Grupo Virtual de Amamentação), ou também no Banco de Leite mais próximo.
Primeira Mamada da nossa vida - 2,900kg 47,5cm
Eu sempre sonhei com a amamentação, me emocionava com aquelas propagandas do Ministério da Saúde que mostram a mãe cheia de leite com o rebento gordinho agarrado no seio. Assim como queria parir, eu queria amamentar.
Não amamentei Helena na primeira hora de vida, quando ela nasceu não tive o instinto de colocá-la no seio. Apenas fiquei com ela nos braços, depois ela foi para a vitamina K e colírio, e então quando voltou estava dormindo. Ali a enfermeira colocou meu seio na boca dela, ela sugou muito pouco e soltou. Eu não me preocupei, pois sabia que os bebês nascem com energia para as primeiras horas de vida.
Seguimos para o quarto e meu único medo era não ter alta no dia seguinte, só pensava em ir pra casa logo e sabia que para isso a amamentação precisava estar estabelecida. Algumas horas depois, veio outra enfermeira e novamente colocou meu seio na boca dela, dessa vez ela pegou e ficou. Nos primeiros dias Helena era um reloginho, 30 min de mamada a cada 3 horas (em média, nem sempre eu olhava o relógio). Sempre que uma enfermeira entrava no quarto e perguntava sobre a amamentação eu dizia que estava ok, mas Helena não pegava o seio direito. Nossa doula foi nos visitar e relatei a ela, que me orientou a tentar colocá-la para dormir em outra posição e também tentar outras posições ao amamentar.
Tivemos alta e dois dias depois eu acordei no meio da noite com os seios endurecidos e com a camisola molhada, meu leite tinha descido. Então começaram as dificuldades! Meus seios ficavam muito cheios e Helena, muito pequena não conseguia abocanhar a aréola, quando ela conseguia descia muito leite e logo ela se engasgava, desistia e chorava. Foram dias longos, eu conversava com a doula, com azindia do zap zap, ordenhava, massageava enquanto o pai ou minha mãe a acalmavam e oferecia o seio. Era tão difícil fazê-la pegar que mesmo com a pega errada eu a deixava mamar, e com o passar das mamadas meus seios começaram a ficar machucados. Meus dias se resumiam a ordenhar, amamentar, passar leite na aréola, deixar secar, ordenhar e assim por diante. Nesses dias minha mãe foi a salvação, ela cuidou de tudo para que eu pudesse cuidar somente da Helena - ela cuidava de mim também, minha comida, roupa era tudo com ela.
O mais difícil eram as noites, o papai ficava sem paciência, dizia que Helena estava sendo preguiçosa e eu chorava mais ainda e o bebê ficava mais agitado. Nesses dias eu agradecia por nunca ter deixado chupetas e mamadeiras entrarem aqui, porque eu sempre pensava: amanhã eu compro uma e taco na boca dela, e o amanhã nunca chegava, porque as manhãs das mães que amamentam são sempre melhores que as noites. Rsrsrs
Hoje, eu vejo como tudo isso passou rápido, na maternidade tudo passa, você nunca é a única, e a próxima fase é sempre mais difícil. No salto de desenvolvimento do primeiro mês, quando eu pensava que tudo já estava estabelecido, Helena desaprendeu a pega e recomeçamos o processo.
Eu aprendi que temos a tendência de endeusar tudo que envolve a maternidade, não amo amamentar, o ato de amamentar. Amo saber que estou nutrindo minha filha, que meu leite tem nos mantido até aqui e que tudo que ela precisa até o sexto mês de vida eu posso produzir. Nos mantivemos fiéis ao nosso objetivo de não nos render aos bicos artificiais e aqui estamos, firmes, fortes e plugadas.
4m16d - 7,400kg 67cm

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

BC Papeando com Azamigas

Nota: Perdi o dia da BC e perdi duas semanas de postagem sobre o andamento da gestação. Entramos na 31° semana hoje e espero que logo o blog esteja atualizado. Tenho muitas coisas pra falar e postar aqui, mas ao mesmo tempo estou super perdida e desorganizada, com fé que tudo se ajeita.
A BC dessa semana, que deveria ter entrado ontem foi escolhida pela Bruna do Blog Nosso História e é "Como vocês enxergam os tipos de partos que existem, por exemplo, parto normal, cesariana, humanizado, domiciliar etc. Qual o seu ponto de vista em relação á cada um deles? Qual escolheram e porque?"
A bem da verdade é que eu não queria mais falar de parto, ando me distanciando desse assunto porque já tenho minhas decisões tomadas e cansei de tentar mostrar pras pessoas os benefícios de um parto, cansei de grupos de gestante desfocados e discussões sem fim. Sim, eu sou a xiita doida que você vê nesses grupos onde o mundo gira em torno de um enxoval.
Para mim existe duas formas de nascimento: parto e cesárea. Sendo que o parto acontece via vaginal e a cesárea é um cirurgia de grande porte que atravessa sete camadas de tecidos, envolve alta dosagem de drogas e coloca sua vida e do seu bebê em risco quando desnecessária. É indicada em cerca de 20% das gestações e realizada em 80% no Brasil.
A internet está lotada de informação de qualidade, basta querer encontrar e estar realmente disposta a quebrar mitos e enfrentar a sociedade inteira. Sim, porque no Brasil ninguém aceita que você queira um parto normal, bacana é agendar a hora de extrair o seu filho, com direito a telinha pra família assistir e escolha do signo. Sou contra essa ideia de que "cada um sabe o que é melhor pra si", porque sem informação não existe escolha, não temos como saber o que é melhor sem pesar prós e contras e a grande maioria da classe médica no Brasil não é muito conhecida por esclarecer todos os contras de uma cirurgia de extração.
Pra mim, humanizado não é tipo de parto. Humanização é um movimento que vem acontecendo em várias partes do mundo, existe inclusive um projeto chamado "Humaniza SUS" que busca capacitar os profissionais da saúde para um atendimento mais humanizado e menos medicalizado. Quando se fala em humanizado, de forma geral, está se falando em um parto onde a mulher é a protagonista, ela escolhe o que quer e o que não quer, dentro das possibilidades expostas. Cabe anestesia em um parto humanizado? Sim, se for hospitalar. Cabe ocitocina sintética em parto humanizado? Sim, se for hospitalar. Ambas intervenções podem ser necessárias e trazer benefícios quando bem indicadas. Uma cesárea não pode ser humanizada, uma vez que o princípio da humanização é o protagonismo da mulher. Pode ser respeitosa, quando observadas as reais indicações, mas não humanizada.
Considerando que no parto humanizado a mulher é a protagonista, ela escolhe como e onde vai parir. Seja em casa, na água, de quatro, de cócoras, etc. Tudo isso é parto normal ou vaginal. Ter nosso desejo atendido não é nada além de um direito determinado pela Constituição, afinal é direito de todo cidadão ter atendimento médico baseado em evidências científicas recentes e comprovadas. Ou seja, buscar um parto respeitoso é buscar um direito assegurado legalmente. Ah, mas é mais fácil agendar uma cirurgia e se render ao sistema! Sim, com certeza é. Você não precisará fazer vakinha, comprometer o lindo enxoval, esquentar a cabeça, questionar o GO fofinho, parir em outra cidade, arriscar um plantão com plano de parto, etc.
Sobre a minha escolha: eu sonhei desde as tentativas com um Parto Domiciliar, para mim lugar de nascer é no ninho em que o bebê escolheu para viver, com parteira e a família que está recebendo o bebê. Esgotamos as possibilidades e financeiramente não vai rolar, já não gastaremos quase nada com o enxoval. Muitas coisas são doadas, o berço compramos em um brechó e teremos o chá de fraldas onde eu não gastarei nada além das passagens para minha cidade (aliás até para pagar as passagens to contando com ajuda da família). Não tenho conhecidos o suficiente para arrecadar R$4000 em uma vakinha, por mais que a equipe facilite, parcele e seja a equipe que eu sonhei, está fora do nosso alcance nesse momento.
A realidade: temos na cidade o Hospital Universitário que é modelo em humanização, não tem berçário e não praticam episiotomia de rotina. Temos alguma chance de conseguir respeito a todos os nossos desejos, o hospital conta com 3 obstetras realmente humanizados nas equipes de plantão, oferece chuveiros, bolas e barras para exercitar-se durante o TP e banqueta para parir de cócoras. Acredito que a nossa maior preocupação serão as intervenções no bebê e o corte precoce do cordão. Mas levaremos o plano de parto e estamos prontos para enfrentar a equipe, questionar e fazer de tudo para que nossa pequena seja respeitada.
Nossa mudança foi positiva nesse ponto. Em Porto Alegre não existe um Hospital como esse, lá eu teria mais condições de juntar alguma grana e com certeza faria de tudo pelo PD, pois minha equipe é de lá.
Isso é para esclarecer que em muitos lugares há opções interessantes pelo SUS, conheço quem tenha plano aqui em Floripa e mesmo assim opte pelo HU. Assim como no Rio, há a Maria Amélia, o CAISM em Campinas, as Casas de Parto em São Paulo e Brasília e o sonho de todas: Sofia Feldman em BH, pensamos em nos mudar pra BH só pra ter um PD pelo SUS.
Quem quiser mais informações, pode me procurar por email, eu realmente amo auxiliar e estou sempre a disposição de quem realmente QUER um parto normal. Eu não vou tentar, vou parir!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

BC Papeando com Azamigas

O assunto dessa semana foi escolhido pela Cynthia do Futura Mãe de Dois e é Aleitamento ou Amamentação (amo a palavra AMAmentar).
A minha história com a amamentação começa no meu nascimento. Eu fui amamentada até os dois anos de idade, e desmamei porque não comia absolutamente nada. A amamentação me salvou da anemia, tanto que sofri muito com anemia e uma bactéria no sangue após o desmame até uns 5 anos de idade. Eu nunca chupei chupeta, nem minhas irmãs. Nem nunca quis mamadeira, minha mãe até tentou depois do desmame, mas nunca aceitei, nem pra água e suco.
Essa "experiência" sempre me fez pensar que é possível criar um bebê com muito leite das tetas e sem nenhum bico artificial. (Olha eu cuspindo pra cima)
Claro que eu pretendo manter os pés no chão, viver um dia de cada vez, sem pressão, sem pressa, sem ansiedade. De uns tempos pra cá, comecei a me dedicar mais a estudar o puerpério, a amamentação (não aguentando mais pensar em parto) e isso me fez ver e entender que muita coisa é mito.
Tivemos palestra sobre amamentação no Gestar, e foi muito bacana. Já sabia que nada precisa ser feito antes do parto, além de cuidar para não hidratar as aréolas e assim estava sendo, confirmei que estava certa mesmo. Aprendi sobre a pega correta, como colocar o bebê no seio, cuidar para acalmá-lo antes de amamentar, não usar nenhum bico artificial, usar o copo de treinamento quando necessário, toda mulher tem leite, o leite é sempre o melhor e suficiente para o seu bebê, etc.
Acredito que assim como o parto, a melhor preparação para a amamentação é do lado de dentro. É fechar os olhos e ouvidos para os palpites e achismos. Saber que somos capazes, que vamos aprender e superar os medos, que os momentos difíceis virão e passarão.


Meus planos aqui (já pensando que daqui a uns meses posso me arrepender de registrar isso):
Amamentar exclusivamente até 6 meses e seguir enquanto Helena e eu quisermos, onde quisermos e precisarmos e sem pano na cara da menina (rindo na cara de quem se incomodar com isso)
Não utilizar nenhum bico artificial (chupeta, mamadeira, etc)
Volto a estudar em março e Helena estará com aprox. 4 meses, usaremos copo de treinamento
Pretendo testar a ordenha manual e caso não dê conta, partir para a bomba elétrica
E pretendo estar pronta para rever e trabalhar cada um desses pontos quando e se necessário. Afinal, não podemos ter medo de reprogramar a rota.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

24° semana

Ou o contador me dá um tempo, ou eu desisto de vez dessa coisa de contar semanas.
Cada dia que passa, faz com o que o tempo corra mais rápido.
E começa a faltar assunto para postagens semanais, mesmo assim eu amo esse lugar e voltar aqui me faz bem. É um dos rituais de conexão com nossa pequena.
Gestar Floripa 19/07
Essa semana tivemos Roda de Gestante no Gestar Floripa sobre "O papel das Doulas", foi muito bacana minha mãe me acompanhou, se emocionou e quer estar no próximo Curso de Doulas. É muito amor, né não! Terá um em dezembro aqui e combinamos que estaremos lá: minha mãe, Helena e eu. Três gerações de mulheres com muito orgulho servindo e amando mulheres.
Esse encontro definitivamente cicatrizou meus medos da semana passada (além dos maravilhosos comentários lá no post, amo cada um de vocês e Helena agradece imensamente a compreensão). Nesse encontro vi mulheres felizes e orgulhosas de serem mulheres, que descobriram nessas trocas grandes coisas sobre si mesmas. Foi maravilhoso ouvir uma doula dizendo à Helena: "Que bom que você é mulher!" E eu passei a semana repetindo para ela.
Desculpa a qualidade da imagem
Como eu disse, minha mãe foi comigo no encontro. Ela está com meus sobrinhos passando uns dias na casa da minha irmã aqui em Floripa e estamos aproveitando muito, matando a saudade e sendo mimadas. Ela trouxe também alguns presentinhos dos meus irmãos de Joinville para Helena. E o enxoval começou a tomar forma, e estamos muito felizes que nem tudo é rosa e temos muitas pecinhas neutras, como eu sempre quis. Percebo que as pessoas estão se esforçando para respeitar as nossas escolhas, o que é muito bom e era um dos meus medos.
Tivemos uma semana maravilhosa: teve sol e praia no final de semana (esqueci de fotografar) e hoje chegou o frio e a chuva. Esses momentos de verão no meio do inverno não faziam parte da minha vida, e estou muito feliz, mesmo gostando do frio, sei que ele não é amigo dos bebês e das mamães.
Sintomas: dor nas costas e cólicas que vão e vem. Não tomo remédios, só exercícios e alongamentos. Tenho dias ruins e outros em que não sinto nada.
Mexidas: Desde a 19° semana, estão a cada dia mais aparentes e constantes. Ela tem horários de agitação (no início da manhã, após o almoço e na hora de deitar) durante o resto do dia é calmaria. Ontem saímos à tarde e ela ficou o dia todo quietinha. À noite coloquei uma música que minha irmã me enviou e ela virava cambalhotas aqui no forninho. Muito amor!
25 semanas
Ó a cara de sono da pessoa!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

17° semana

Por aqui seguimos, cada semana mais tranquilos, confiantes e conectados.
Os sintomas seguem os mesmos, acrescentando um leve refluxo após as refeições.
Me sinto passando aquelas fases em que tinha dias que me sentia mal ou feia, passei a me sentir ótima todos os dias. Amo o frio, e estou com saudades do frio de verdade lá do sul, mas ao mesmo tempo feliz de poder usar roupas mais leves e exibir o "projeto de barrigão". Finalmente, comecei a entrar nas filas preferenciais, sempre com bom senso.
E aí está a nossa casinha, é pequena, mas cheia de muito amor, muita natureza, muito verde. Fico só imaginando meus pés na grama durante o TP, e baby brincando nesse gramado.
Hoje tivemos a consulta mensal com a médica da família. Estamos muito satisfeitos por conhecer e testemunhar o SUS que dá certo, até demais. Chegamos lá, a médica perguntou como me sinto, se a gestação foi planejada, como está o papai, se eu tinha um palpite sobre o sexo, se eu queria saber, sobre o marido também. Deu várias dicas sobre alimentação, exercícios e métodos alternativos para alívio dos incômodos. Falou sobre o parto normal, sobre os benefícios para a mãe e o bebê.
Resumo: nos apaixonamos! Ouvimos o coraçãozinho que estava a 148bpm, medimos a altura uterina (aqui nem se fala sobre toque, já que a médica não é GO) e eu ganhei um puxão de orelha: engordei 2kg em um mês :(. Mas me incentivou a retomar os exercícios (finalmente liberados e que nunca deveriam ter sido suspensos), passei na fruteira e já recheei a geladeira com coisas deliciosas e saudáveis. Estamos caminhando diariamente e nos exercitando na academia da terceira idade (hehe), são aqueles equipamentos que a prefeitura coloca em praças da cidade.
Essa semana teremos duas rodas de gestante, amanhã e sábado. Espero que seja muito bacana.
Pra finalizar, foto da barriga:


domingo, 1 de junho de 2014

16° semana

E naquela semana em que nada de novo acontece, cabe uma foto em tamanho grande, não é!?
Aqui seguimos com os mesmos sintomas: enjoo, dor de cabeça, dor nas costas e cólicas.
Finalmente voltei com meus exercícios diários, em ritmo leve. Estou fazendo caminhadas e alongamentos e espero que logo a pressão nas costas diminua.
Esqueci de contar que na semana passada completei 24 anos, último aniversário sem um baby no colo, primeiro com um baby no forninho. Minha irmã, cunhado e primos fizeram uma festinha surpresa, com direito a balões e bolo de chocolate com confeitos.
Como passei quase a semana toda participando dos eventos da Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento, esse foi meu maior presente e comemoração pelo aniversário.
Hoje estava conversando com outra gestante e me dei conta de uma informação que pode ser útil e que eu soube na semana passada. Segundo uma obstetra humanizada daqui da cidade, muitos hospitais estão trocando o Colírio de Nitrato de Prata pelo Bovidine (posso ter escrito errado). Esse Bovidine é semelhante a um colírio normal e não causa a mesma reação que o Nitrato de Prata (ardência, queimação, etc). Vale a pena nos informar e saber qual desses está sendo usado no hospital em que se pretende parir. Pelo que ouvi aqui no HU o utilizado é o Bovidine. o/
Essa semana temos consulta com a médica da família, então teremos novidades e um post menos mequetrefe que esse.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

15° semana

Seguimos semi ausentes por falta de conexão externa, já que a interna tá 100%.
Vamos então aos acontecimentos da última semana. Os desconfortos seguem por aqui, tive que pegar ônibus para participar da Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento e o resultado não foi nada bacana. A partir de hoje, só pego ônibus se for extremamente necessário (ou seja, para todos os eventos locais relacionados a parto/maternagem).
Roda de conversa com o grupo Mama Flora

Bênção do útero - chorei litros - eu to lá atrás de blusa laranja

Falando no evento maravilhoso que tivemos aqui na semana passada, foi tudo de bom! Marido participou, ficou todo cheio de si falando que já sabia de todas aquelas informações. Mas para mim serviu para conhecer a realidade local aqui de Floripa, ver que existe a possibilidade de um parto respeitoso pelo SUS, conhecer muita gente bacana, trocar ideias, informações. Enfim, a troca foi intensa e interessante.
Finalmente encontramos uma casinha pra chamar de nossa, já estamos instalados mas ainda sem acesso à civilização (hehe), e super conectados e em sintonia com o baby, conosco mesmos, tudo evoluindo lindamente.
Além dos enjoos, continuamos com todos os outros incômodos. Tem dias que eu choro, quero que tudo isso passe logo, me pergunto porque só acontece comigo, fico incomodada e chateada mesmo. Mas logo dedico um tempinho a me ouvir, entender meu corpo e perceber por quantas mudanças estamos (eu e bebê) passando e como precisamos de compreensão e paciência. Esses dois dons, marido tem de sobra e tem sido muito legal com a gente nesses momentos.
Conversamos novamente com a parteira e decidimos que faremos todo o possível pelo PD, porém sem surtar. Sabemos que existe uma opção bacana aqui, mas desejamos muito um PD, e lutaremos por isso. Estamos investindo na nossa sintonia com a equipe também, apesar da distância, estamos nos mantendo próximas e o apoio e positividade delas tem sido fundamental.
Cresce e cresce
Em uma das rodas de conversa da semana passada falamos sobre o bullying sofrido por nós, gestantes que optam por um pré natal e parto mais conscientes. Ao contrário do que as pessoas pensam, estou tranquila e feliz por saber que farei só mais uma US durante a gestação, estou sem nenhuma pressa de descobrir o sexo do bebê, e não temos nenhum nome em vista para nenhum sexo. Temos cinco peças de roupa que ganhamos e não pretendemos "montar" um super enxoval. Não tenho vontade de ver ou ouvir o bebê o tempo todo e só estou ansiosa para senti-lo mexer. Eu falo com el@ e @ sinto o tempo todo, sei que tudo está bem e estamos caminhando juntos.
Eu olho pra trás e percebo o quanto esses meses estão sendo maravilhosos a abençoados e estou muito satisfeita com tudo isso. Eu não sou a mesma pessoa que era em outubro do ano passado, quando decidimos que era a hora de ter um bebê, eu mudei, eu cresci e passei a defender ideais que nem fazia ideia que existiam. E hoje, sempre que alguém me procura com dúvidas, fico muito feliz em saber e ter informação para responder.
Esses poucos meses me tornaram mais madura, mais adulta e muito mais pensativa sobre tudo e sensível a tudo. É fantástico pensar que tudo isso poderia ser muito diferente, mas está sendo dessa forma e existe uma razão para isso. Não havia nada e de repente há uma vida que cresce a cada dia, pra mim isso é tão inexplicável.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

DESABAFO

Estou aqui agora me remoendo por dentro.
Do outro lado da divisória, tem uma grávida de 37 semanas. Ela vai fazer cesárea porque é pequena, porque o bebê é grande, porque ela não quer parir entre outras coisas. Ela tem uma data marcada, mas quer fazer essa cirurgia logo porque não aguenta mais estar grávida. Ela acredita que já pode fazer uma cesárea porque o bebê está pronto, ela acredita que pode escolher o momento do seu bebê.
E eu me pergunto: quem sou eu para julgar essa mulher? Eu não sou mãe, eu nunca estive grávida, o que eu posso dizer a ela? Eu sei que ela não vai me perguntar, ela não concorda com o que eu penso, com o que as pesquisas dizem.
Enviei uma mensagem para o meu marido, partilhando minha angústia. Primeiro ele também ficou triste e se perguntou o quanto uma pessoa assim, que planeja uma gravidez e opta por uma cirurgia dessas com 37 semanas realmente ama ou se sacrificaria por esse filho. Ele tem uma filha, e afirmou que se fosse mulher dele, ele não concordaria. Me senti feliz e amparada. Porque mesmo sem ler tudo o que eu leio, ele está se rendendo à minha escolha de respeito ao meu corpo e ao tempo do nosso futuro bebê.
Tive mais uma vez a certeza de que ele é o melhor pai que eu poderia escolher para uma criança. Especialmente quando tentando me acalmar ele disse que o que eu poderia fazer é orar para que apesar das escolhas dela, tudo corresse bem (considerando ser possível uma cesárea eletiva “correr bem”). O que nesse caso significa orar por essa pequena que está vindo, ela será mais forte que sua mãe ao vir ao mundo.
Decidi pesquisar sobre os riscos específicos de uma cesárea eletiva, e encontrei um post da Dra. Melania sobre a opção de parto, em que ela fala que não seria coerente ser a favor do aborto, mas contra a escolha da mulher de conhecendo todos os riscos, optar por uma cesárea. Bem, essa mulher, está ciente dos riscos, mas acredita que seja terrorismo de quem é contra a cesárea (aquele terrorismo que nós conhecemos bem, só que ao contrário).
Minha militância não é por ela, minha pesquisa não é por ela, meu ativismo não é por ela. Minhas orações são por sua filha e pela vida e saúde de ambas. Mas quando pesquiso, e me dedico a divulgar informações sobre as desneCesareas, a violência obstétrica, as vantagens de um parto natural, tenho como objetivo alcançar outras mulheres. Quero alcançar aquela que não sabe, que não tem informação, que não conhece. Não me interessa sua classe social, pois se eu parar para pensar não tenho o valor para pagar o parto que quero nesse momento, e muitas outras nunca terão. Mas eu quero e vou fazer o que puder para que essa possibilidade seja direito de todas.
Como diz a Dra. Melania, não precisamos discutir sobre quem faz cesárea eletiva. Essas já tem seu direito de escolha garantido. Precisamos discutir sobre as tantas outras que não tem acesso a informação e são coagidas por médicos cesaristas e mitos absurdos.