Mostrando postagens com marcador Doula. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Doula. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de maio de 2015

Apego e Desapego

Sempre acreditei na Criação com Apego e Disciplina Positiva, mesmo antes de saber que ela existia como teoria, tinha verdades concretas que para mim faziam muito sentido. Nunca pensei em deixar um bebê chorando inconsolável, ou obrigar uma criança a seguir convenções sociais, ou mesmo agir com violência. Acredito no nascimento respeitoso, na amamentação exclusiva até o sexto mês e prolongada até onde o binômio mãe-bebê sentir-se bem, no respeito a criança como ser que está ao meu lado e não abaixo de mim.
Até aqui tenho seguido de acordo com os princípios que sempre prezei, mas eu não sou uma mãe apegada. Explico melhor, quando eu estava grávida eu sempre dizia que não me importaria que Helena fosse uma criança "dada", daquelas que vão com qualquer um, não me importaria se ela aceitasse todos os colos e ficasse bem com várias pessoas. Muitos me diziam que quando ela nascesse isso iria mudar, mas não. Intensificou. Exceto pelo fato de que Helena não come e não aceita beber o leite ordenhado fora da teta, fico feliz em saber que eu posso passar algumas horas fora de casa sem sofrer ou causar sofrimento a ela. Muitas pessoas dizem que ao cuidar de uma puérpera é importante ajudar em todo o resto para que a mãe possa dar total atenção ao bebê, mas desde que Helena nasceu eu amo quando alguém chega e ela ganha um colo mais tranquilo e amoroso, enquanto eu tomo um banho longo, descanso meus braços e converso com calma com outros adultos. 
Viajamos pela primeira vez quando Helena tinha 2 meses, só nós duas, 2h de viagem de ônibus até a casa da minha irmã. Lá ela desfilou entre o colo da avó, da tia e dos primos e eu descansei tranquila. Viajamos novamente ao completar 3 meses, para Porto Alegre, 6hs de viagem e ela se mostrou uma ótima parceira, dormiu tranquilamente onde estivesse, ficava sozinha brincando, e recebia colo de tias, bisavós, primas e amigas. Na viagem de volta pegamos uma tranqueira e nós duas estávamos cansadas, com calor. Duas desconhecidas se ofereceram a ficar um pouco com ela no colo, eu permiti, ela se divertiu, relaxou e eu pude descansar para então dar toda minha atenção novamente a ela. 
Um mês depois, conversando com a Kika (doula) ela me perguntou se eu saía sem Helena, e conversamos sobre a importância de eu começar a retomar pequenas atividades solo. Essa conversa foi maravilhosa e até hoje falo sobre isso com minhas amigas mães e gestantes, é preciso um passo de cada vez em direção a nós mesmas, a nos reencontrar. Comecei então a fazer zumba 2x por semana, era 1h30 que eu ficava fora e meu pensamento não ficava em casa, ele voava, flutuava. Eu conseguia desconectar, e isso muitas vezes me fez sentir culpada. Mas então eu pensava em como eu conseguia voltar pra casa disposta e tranquila, mesmo depois de 1h pulando e dançando sem parar, eu tinha um pique pra brincar e ninar Helena, e mesmo que ela demorasse a dormir à noite eu conseguia acompanhá-la. Nessa época vivemos o salto de desenvolvimento dos 4 meses, quando Helena passou 4 semanas acordando de hora em hora durante a noite.
Quando Helena completou 5 meses decidi voltar a trabalhar, ordenhava o leite, congelava, e o pai oferecia à ela. Eu passava 8hs longe, eu me sentia bem saindo de casa, conversando com adultos, mas Helena e o pai não se adaptaram. Ela estava bem, dormia, brincava mas não tomava o leite (até mamadeira eu tentei). Pensamos em adiantar a Introdução Alimentar, chegamos a fazer algumas tentativas frustradas, mas eu sabia que ela não estava pronta e sabia também dos males de uma IA precoce. Melhor oferecer Leite Artificial do que introduzir sólidos antes do tempo. Mas o problema não era o meu leite, era que ela não queria "mamar" fora do peito. E depois de 21 dias de trabalho, decidi parar, não estava funcionando para nós, não naquele momento. 
Eu decidi escrever esse post porque nesse exato momento, Helena está com os dindos enquanto eu assisto uma palestra, pertinho de casa. Depois posso descansar um pouco e pegá-la mais disposta e mais leve para que sigamos nós duas. 
Eu aprendi nesse caminho com a Kika que para dar, precisamos ter. Eu não poderia me doar 100% para minha filha, porque aí não sobraria nada para multiplicar e continuar doando, é preciso guardar um pouco e recarregar. A gestação e o parto são momentos lindos, sublimes, mas depois disso resta pouco de nós e o cansaço do dia a dia vai nos engolindo. Além disso essa rede social materna nos coloca essa ideia de que precisamos nos dedicar 100% a maternidade e deixar de viver, mas isso não é verdade. Tempo ocioso é preciso, produzir é preciso. Sabe aquela história de primeiro colocar a máscara de oxigênio em si mesmo, para então colocar na pessoa ao seu lado mesmo que ela esteja desacordada? A maternidade é assim, só podemos ajudar nossos filhos a respirar após estarmos munidas, inteiras, e com a nossa própria máscara. Só ensina amor próprio quem consegue amar a si mesmo em meio ao caos.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Amamentação

Acho que todas as mães, após o relato de parto, deveriam publicar um relato de amamentação. Porque assim como não é fácil parir, não é fácil amamentar, e eu acredito que a não amamentação tenha consequências tão duras - senão até mais - que o parto cheio de violência.
Não vou falar aqui sobre as recomendações dos órgãos de saúde, ou orientações para amamentação, isso está a disposição na Caderneta de Saúde da Criança e em grupo do facebook como o GVA (Grupo Virtual de Amamentação), ou também no Banco de Leite mais próximo.
Primeira Mamada da nossa vida - 2,900kg 47,5cm
Eu sempre sonhei com a amamentação, me emocionava com aquelas propagandas do Ministério da Saúde que mostram a mãe cheia de leite com o rebento gordinho agarrado no seio. Assim como queria parir, eu queria amamentar.
Não amamentei Helena na primeira hora de vida, quando ela nasceu não tive o instinto de colocá-la no seio. Apenas fiquei com ela nos braços, depois ela foi para a vitamina K e colírio, e então quando voltou estava dormindo. Ali a enfermeira colocou meu seio na boca dela, ela sugou muito pouco e soltou. Eu não me preocupei, pois sabia que os bebês nascem com energia para as primeiras horas de vida.
Seguimos para o quarto e meu único medo era não ter alta no dia seguinte, só pensava em ir pra casa logo e sabia que para isso a amamentação precisava estar estabelecida. Algumas horas depois, veio outra enfermeira e novamente colocou meu seio na boca dela, dessa vez ela pegou e ficou. Nos primeiros dias Helena era um reloginho, 30 min de mamada a cada 3 horas (em média, nem sempre eu olhava o relógio). Sempre que uma enfermeira entrava no quarto e perguntava sobre a amamentação eu dizia que estava ok, mas Helena não pegava o seio direito. Nossa doula foi nos visitar e relatei a ela, que me orientou a tentar colocá-la para dormir em outra posição e também tentar outras posições ao amamentar.
Tivemos alta e dois dias depois eu acordei no meio da noite com os seios endurecidos e com a camisola molhada, meu leite tinha descido. Então começaram as dificuldades! Meus seios ficavam muito cheios e Helena, muito pequena não conseguia abocanhar a aréola, quando ela conseguia descia muito leite e logo ela se engasgava, desistia e chorava. Foram dias longos, eu conversava com a doula, com azindia do zap zap, ordenhava, massageava enquanto o pai ou minha mãe a acalmavam e oferecia o seio. Era tão difícil fazê-la pegar que mesmo com a pega errada eu a deixava mamar, e com o passar das mamadas meus seios começaram a ficar machucados. Meus dias se resumiam a ordenhar, amamentar, passar leite na aréola, deixar secar, ordenhar e assim por diante. Nesses dias minha mãe foi a salvação, ela cuidou de tudo para que eu pudesse cuidar somente da Helena - ela cuidava de mim também, minha comida, roupa era tudo com ela.
O mais difícil eram as noites, o papai ficava sem paciência, dizia que Helena estava sendo preguiçosa e eu chorava mais ainda e o bebê ficava mais agitado. Nesses dias eu agradecia por nunca ter deixado chupetas e mamadeiras entrarem aqui, porque eu sempre pensava: amanhã eu compro uma e taco na boca dela, e o amanhã nunca chegava, porque as manhãs das mães que amamentam são sempre melhores que as noites. Rsrsrs
Hoje, eu vejo como tudo isso passou rápido, na maternidade tudo passa, você nunca é a única, e a próxima fase é sempre mais difícil. No salto de desenvolvimento do primeiro mês, quando eu pensava que tudo já estava estabelecido, Helena desaprendeu a pega e recomeçamos o processo.
Eu aprendi que temos a tendência de endeusar tudo que envolve a maternidade, não amo amamentar, o ato de amamentar. Amo saber que estou nutrindo minha filha, que meu leite tem nos mantido até aqui e que tudo que ela precisa até o sexto mês de vida eu posso produzir. Nos mantivemos fiéis ao nosso objetivo de não nos render aos bicos artificiais e aqui estamos, firmes, fortes e plugadas.
4m16d - 7,400kg 67cm

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sobre as Doulas

Há um tempo tenho vontade de escrever sobre as doulas. Há um ano atrás, decidimos engravidar, e com isso busquei informações sobre gestação e parto. Aprendi o que significava parto humanizado, e que não bastava querer um parto, precisava lutar por ele. Mais que isso, descobri que essa luta não é individual, apesar da mulher ser a protagonista, os coadjuvantes são necessários e ajudam a conduzir o processo.
Eu sempre acreditei que o parto fosse um longo processo, que começa muito antes da primeira contração e termina muito depois do expulsivo, e eu estava certa, pelo menos na minha experiência tem sido assim. Descobri quem são as doulas, e entendi a necessidade de ter uma me acompanhando. Ainda nas tentativas, comecei a conversar com algumas doulas. Doulas são mulheres encantadoras, mas cada uma possui suas particularidades, assim como cada mulher tem necessidades diferentes em seu processo. Eu buscava uma mãe, independente de ter parido, para mim a doula tinha que ser uma figura materna, que compreendesse o processo psicológico e emocional que é o parto. Eu sou muito chata, precisava de alguém que fechasse comigo, sem muito esforço.
Assim conheci a Kika, primeira pessoa a ver a foto do palitinho com as duas listras. Lembro de passar a tarde do dia 28 de fevereiro conversando com ela, sobre testar ou não. Segundo dia de atraso, temperatura basal subindo e uma sensação de "não foi dessa vez" ou "não mereço isso tão cedo". Eu pensava que seria um longo processo de tentativas. A Kika esteve lá, durante as tentativas, me doulando. Ela nem sabia se realmente seria minha doula, mas já me doulava. Para mim, é imprescindível que uma doula seja doula, que isso faça parte de seu ser, não é uma profissão, mas vocação. E doular é muito semelhante a maternar, é estar ali para aquele outro ser, é atender aquela dor.
Quando conheci a Kika pessoalmente confirmei todas as minhas expectativas. Eu queria ela no meu parto, queria que ela assistisse o nascimento do nosso bebê, queria aqueles braços ao meu redor. Que abraço! Um abraço com cheiro de mãe, de bruxa, de amiga. E assim seguimos, mas a vida é uma caixinha de surpresas, eu viajei, ela viajou. Nossos planos mudaram, nosso bebê não nasceria mais em casa. Kika não poderia vir nos assistir. Mesmo assim, ela nunca faltou comigo. Não importava o dia ou a hora, ela estava lá respondendo mensagens, ligando, conversando. Ela construiu meu parto comigo, a cada dia da gestação, ela esteve lá comigo segurando a minha mão, mesmo que em pensamento.
Mas com a distância, se fez necessário encontrar uma nova doula. Foi uma longa trajetória, e quase desisti várias vezes. Não por falta de mulheres fantásticas, Floripa é quase a capital das doulas, temos muitas, mas eu não encontrava uma para chamar de minha. Certa vez conversando com a Kika comentei que essa busca era como quando procuramos um novo namorado, mas ainda somos amigas do anterior. É difícil não comparar, é difícil se desligar do que foi, pois o amor está ali e eu não conseguia imaginar outra pessoa me assistindo, me abraçando, segurando minha mão, dando continuidade nesse processo que vínhamos construindo. Mas então a Kika me apresentou a Carol, trocamos mensagens mas foi difícil marcar um encontro, um dia eu estava quase desistindo e então o universo trabalhou e finalmente nos conhecemos.
Encontrei a Carol no centro comercial onde funciona a loja dela. Logo que me viu ela me identificou e nos abraçamos, ali eu já sabia que seria ela. Senti a mesma energia do dia em que conheci a Kika, conversamos uma tarde toda, sem sentir o tempo passando. Marcamos então um próximo encontro com a presença do Ricardo, e se deram tão bem que parecia inacreditável.
Talvez você tenha reparado no meu relato, mas a doula não esteve presente no meu tp. Foi um tp rápido em uma noite de muita chuva, e eu acabei indo para o hospital antes que ela chegasse (me culpei muito por isso). Mesmo assim, eu digo que nada teria sido como foi se elas não tivessem existido, se elas não tivessem construído esse processo ao meu lado, e esse trabalho só uma doula pode fazer.
Ainda hoje, 27 dias após o nascimento de Helena, elas me doulam. Elas estiveram ali quando chorei pelos ocorridos e não ocorridos, elas seguraram minha mão a cada contração, elas me abraçaram e eu senti o mesmo cheiro durante meu trabalho de parto.
Se você é mulher, se você vai gestar ou parir um dia, se você é gestante ou tentante, procure uma doula. O processo sem ela, pode ser muito raso, pode ser mais doloroso, pode ser menos alegre. Porque com ela certamente será mais profundo, belo e completo.

"Se a doula fosse um remédio, seria antiético não receitar" John Kennell

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

É primavera!!

Tenho a cara de pau de ficar um mês off e voltar aqui.
Pois é minha gente, nem posso falar que falta tempo, pois sobra. Porém falta disposição mesmo, inspiração, organizar as ideias. E daí fui esperando as ideias se organizarem na minha cabeça, os fatos se ordenarem até me dar conta de que os fatos estavam se acumulando e eu não conseguia mais terminar rascunhos. Vamos então por partes e começando por um resumão das últimas 5 semanas.

28° semana-> consulta pré natal: ganhei 4kg em um mês e um puxão de orelha da médica por conta disso, mesmo assim pressão ok, batimentos ok, crescimento da Helena ok.
Sintomas: surgiram verrugas feiosas em algumas partes do corpo, as maiores já queimamos com ácido, as menores aguardamos que sumam depois do parto. É comum o aparecimento de verrugas, elas ocorrem devido a baixa imunidade, como uma proteção natural da pele.
29 semanas

29° semana -> Senti Helena soluçar pela primeira vez, é muito gostoso e engraçado mas não acontece com muita frequência.
Tive meus primeiros desejos: peixe e leite com nescau. Pode parecer que não é desejo, mas eu não gosto de peixe nem de leite. Ou não gostava, já que depois disso passei a tomar leite todos os dias e comer peixe pelo menos 2x na semana.

30° semana-> Chegou o meu exemplar de "A maternidade e o Encontro com a Própria Sombra", ganhei de uma grande amiga virtual. Enlouqueci de alegria, já lia Laura Gutman e queria muito esse livro.

31° semana-> chegou o berço e carrinho de Helena, o cantinho dela começou a tomar forma. Chorei muito, estive sensível demais, problemas surgiram debaixo do tapete. Conversei com a Kika (minha 1° doula) e ela solicitou uma intervenção, chamou uma doula daqui pra me atender, porque a coisa estava ficando feia. Comecei a pensar que minha introspecção estava passando dos limites. Questionei a vida, a gestação, a mim mesma.  Pensei em cancelar o ensaio fotográfico, conversei com a fotógrafa que foi maravilhosa, pediu que esperasse baixar a poeira pra decidir.

32 semanas
32° semana -> Conheci a Carol (doula), foi amor a primeira vista, como eu queria, como eu sonhei. Me abri, externei tudo que me incomodava, depois disso reuni forças e ainda conversei com o Ricardo, coloquei pra ele as minhas angústias e sombras (Laura já estava fazendo efeito em mim). Admiti que precisava e queria ajuda, traçamos um plano de ação. Sonhei com Helena, um bebê gordinho, com dobrinhas, delicada e calma. Acordei com saudades dela.
Visitei a maternidade do Hospital Universitário de Florianópolis, foi bem bacana. Vou tentar fazer um post somente sobre isso, infelizmente perdi as fotos, não sei se conseguiremos recuperar.
Perdi a uma parte do tampão :o

33° semana -> consulta pré natal, ganhei 1kg no último mês, Helena continua crescendo lindamente, cefálica com dorso à direita, chutando freneticamente tudo e todos que tocam na barriga. Marcamos os exames do 3° trimestre.
Senti pela primeira vez um chute na costela.
O chá de bebê foi cancelado.
Fizemos a sessão de fotos.
A fotógrafa e um grupo de amigas nos presentearam com muitas roupinhas e acessórios para Helena, já temos um enxoval quase completo.
Prévia do ensaio fotográfico

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

27° semana

Então que eu já sou uma pessoa naturalmente inquieta e pensativa, imagina grávida.
Aquela ansiedade estava me incomodando e não fazia parte de mim, pelo menos não da Tamires Gestante, era algo antigo, algo que preciso curar e trabalhar, algo que eu não quero que faça parte do meu presente.
Só que eu estava tentando driblar esse sentimento, ao invés de ir de encontro a ele e entender o que o estava causando. E então que, conversando com a minha doula e amiga de coração (que não poderá me acompanhar no parto mas é a pessoa que sempre esteve mais próxima a mim, desde o momento tentante) ela me falou algo que fez todo o sentido. Eu estava até algumas semanas atrás com uma sensação de controle, estava decidida pelo Parto Domiciliar com uma equipe que eu amo e com a qual estava muito envolvida. Porém, acontecimentos recentes (que tiveram início com a nossa mudança de Estado) nos levaram a reprogramar essa ideia, e então optar pelo Parto Hospitalar. Desfizemos com a equipe e estamos em busca de uma nova doula, o que para mim está sendo difícil, eu já tinha um vínculo e fico desanimada em recomeçar a essa altura da gestação, e por isso também vou adiando novos encontros.
Trabalhar com as mãos
Isso tudo me fez ficar desatenta, deligada de mim e também da Helena. No fim, a gente sabe que não tem controle sobre nada, mas a falsa sensação de que temos nos traz uma segurança e a ausência desta pode descontrolar tudo, principalmente quando encaramos a gestação de forma tão consciente e psicológica.
Sim, a ansiedade ainda está aqui, mas agora eu a compreendo e posso fazer mais e melhor contra ela.
Algo que em muitos momentos me enlouquece é passar o dia em casa "sozinha", acabo perdendo muito tempo fazendo nada, o que me frustra. Até agora, e quase adentrando o último trimestre temos muito pouca coisa para a chegada da Helena. Isso não me preocupa, porém comecei a sentir uma necessidade de aprontar o "ninho", e fazer algumas coisas para ela. No próximo post falo mais sobre isso.
Tenho me ocupado também com o Chá, que eu não sabia se faria ou não, mas já que abri mão do parto, nos sobraram algumas economias e poderei viajar a Porto Alegre para ver minhas amigas e família e comemorar a vinda da Helena.
Reconectar!


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

BC Papeando com Azamigas

O assunto dessa semana foi escolhido pela Cynthia do Futura Mãe de Dois e é Aleitamento ou Amamentação (amo a palavra AMAmentar).
A minha história com a amamentação começa no meu nascimento. Eu fui amamentada até os dois anos de idade, e desmamei porque não comia absolutamente nada. A amamentação me salvou da anemia, tanto que sofri muito com anemia e uma bactéria no sangue após o desmame até uns 5 anos de idade. Eu nunca chupei chupeta, nem minhas irmãs. Nem nunca quis mamadeira, minha mãe até tentou depois do desmame, mas nunca aceitei, nem pra água e suco.
Essa "experiência" sempre me fez pensar que é possível criar um bebê com muito leite das tetas e sem nenhum bico artificial. (Olha eu cuspindo pra cima)
Claro que eu pretendo manter os pés no chão, viver um dia de cada vez, sem pressão, sem pressa, sem ansiedade. De uns tempos pra cá, comecei a me dedicar mais a estudar o puerpério, a amamentação (não aguentando mais pensar em parto) e isso me fez ver e entender que muita coisa é mito.
Tivemos palestra sobre amamentação no Gestar, e foi muito bacana. Já sabia que nada precisa ser feito antes do parto, além de cuidar para não hidratar as aréolas e assim estava sendo, confirmei que estava certa mesmo. Aprendi sobre a pega correta, como colocar o bebê no seio, cuidar para acalmá-lo antes de amamentar, não usar nenhum bico artificial, usar o copo de treinamento quando necessário, toda mulher tem leite, o leite é sempre o melhor e suficiente para o seu bebê, etc.
Acredito que assim como o parto, a melhor preparação para a amamentação é do lado de dentro. É fechar os olhos e ouvidos para os palpites e achismos. Saber que somos capazes, que vamos aprender e superar os medos, que os momentos difíceis virão e passarão.


Meus planos aqui (já pensando que daqui a uns meses posso me arrepender de registrar isso):
Amamentar exclusivamente até 6 meses e seguir enquanto Helena e eu quisermos, onde quisermos e precisarmos e sem pano na cara da menina (rindo na cara de quem se incomodar com isso)
Não utilizar nenhum bico artificial (chupeta, mamadeira, etc)
Volto a estudar em março e Helena estará com aprox. 4 meses, usaremos copo de treinamento
Pretendo testar a ordenha manual e caso não dê conta, partir para a bomba elétrica
E pretendo estar pronta para rever e trabalhar cada um desses pontos quando e se necessário. Afinal, não podemos ter medo de reprogramar a rota.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

15° semana

Seguimos semi ausentes por falta de conexão externa, já que a interna tá 100%.
Vamos então aos acontecimentos da última semana. Os desconfortos seguem por aqui, tive que pegar ônibus para participar da Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento e o resultado não foi nada bacana. A partir de hoje, só pego ônibus se for extremamente necessário (ou seja, para todos os eventos locais relacionados a parto/maternagem).
Roda de conversa com o grupo Mama Flora

Bênção do útero - chorei litros - eu to lá atrás de blusa laranja

Falando no evento maravilhoso que tivemos aqui na semana passada, foi tudo de bom! Marido participou, ficou todo cheio de si falando que já sabia de todas aquelas informações. Mas para mim serviu para conhecer a realidade local aqui de Floripa, ver que existe a possibilidade de um parto respeitoso pelo SUS, conhecer muita gente bacana, trocar ideias, informações. Enfim, a troca foi intensa e interessante.
Finalmente encontramos uma casinha pra chamar de nossa, já estamos instalados mas ainda sem acesso à civilização (hehe), e super conectados e em sintonia com o baby, conosco mesmos, tudo evoluindo lindamente.
Além dos enjoos, continuamos com todos os outros incômodos. Tem dias que eu choro, quero que tudo isso passe logo, me pergunto porque só acontece comigo, fico incomodada e chateada mesmo. Mas logo dedico um tempinho a me ouvir, entender meu corpo e perceber por quantas mudanças estamos (eu e bebê) passando e como precisamos de compreensão e paciência. Esses dois dons, marido tem de sobra e tem sido muito legal com a gente nesses momentos.
Conversamos novamente com a parteira e decidimos que faremos todo o possível pelo PD, porém sem surtar. Sabemos que existe uma opção bacana aqui, mas desejamos muito um PD, e lutaremos por isso. Estamos investindo na nossa sintonia com a equipe também, apesar da distância, estamos nos mantendo próximas e o apoio e positividade delas tem sido fundamental.
Cresce e cresce
Em uma das rodas de conversa da semana passada falamos sobre o bullying sofrido por nós, gestantes que optam por um pré natal e parto mais conscientes. Ao contrário do que as pessoas pensam, estou tranquila e feliz por saber que farei só mais uma US durante a gestação, estou sem nenhuma pressa de descobrir o sexo do bebê, e não temos nenhum nome em vista para nenhum sexo. Temos cinco peças de roupa que ganhamos e não pretendemos "montar" um super enxoval. Não tenho vontade de ver ou ouvir o bebê o tempo todo e só estou ansiosa para senti-lo mexer. Eu falo com el@ e @ sinto o tempo todo, sei que tudo está bem e estamos caminhando juntos.
Eu olho pra trás e percebo o quanto esses meses estão sendo maravilhosos a abençoados e estou muito satisfeita com tudo isso. Eu não sou a mesma pessoa que era em outubro do ano passado, quando decidimos que era a hora de ter um bebê, eu mudei, eu cresci e passei a defender ideais que nem fazia ideia que existiam. E hoje, sempre que alguém me procura com dúvidas, fico muito feliz em saber e ter informação para responder.
Esses poucos meses me tornaram mais madura, mais adulta e muito mais pensativa sobre tudo e sensível a tudo. É fantástico pensar que tudo isso poderia ser muito diferente, mas está sendo dessa forma e existe uma razão para isso. Não havia nada e de repente há uma vida que cresce a cada dia, pra mim isso é tão inexplicável.

sábado, 26 de abril de 2014

Última postagem em terras gaudérias

Na verdade não tenho muitas novidades, exceto que amanhã estou migrando para Santa Catarina.
A princípio vou sozinha, já que marido terá que ficar até 20 de maio (meu aniversário). Eu quero ir pois preciso dar continuidade no meu pré-natal, conhecer as equipes de PD e ver a possibilidade de um Parto Hospitalar com o mínimo de intervenção, pois já não temos certeza quanto aos fundos disponíveis e a realidade local para o PD. Sei que lá é muito bacana e tem muita gente ligada à humanização, mas essa muita gente é conhecida, então pode ser mais complicado que imaginamos. O importante é que tenhamos muita informação o mais breve possível para que nossos planos possam atender nossos sonhos.
Uma possibilidade era a locomoção da equipe daqui, mas o custo vai ficar muito alto, além do meu medo que não dê tempo de elas chegarem até lá. Conforme eu for obtendo mais informações, vou atualizando. Já comecei a trocar ideias com uma doula que mora lá, indicada pela minha doula aqui e tem sido bem bacana.
Não sei a frequência que conseguirei postar lá, de início estarei acessando somente pelo celular, o que me permite ver os comentários, mas limita bastante as postagens, mas assim que possível retorno com as novidades.
Beijo grande em todos vocês que me visitam aqui e me enviam tanta energia boa.
Até mais, em terras catarinenses....