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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

27° semana

Então que eu já sou uma pessoa naturalmente inquieta e pensativa, imagina grávida.
Aquela ansiedade estava me incomodando e não fazia parte de mim, pelo menos não da Tamires Gestante, era algo antigo, algo que preciso curar e trabalhar, algo que eu não quero que faça parte do meu presente.
Só que eu estava tentando driblar esse sentimento, ao invés de ir de encontro a ele e entender o que o estava causando. E então que, conversando com a minha doula e amiga de coração (que não poderá me acompanhar no parto mas é a pessoa que sempre esteve mais próxima a mim, desde o momento tentante) ela me falou algo que fez todo o sentido. Eu estava até algumas semanas atrás com uma sensação de controle, estava decidida pelo Parto Domiciliar com uma equipe que eu amo e com a qual estava muito envolvida. Porém, acontecimentos recentes (que tiveram início com a nossa mudança de Estado) nos levaram a reprogramar essa ideia, e então optar pelo Parto Hospitalar. Desfizemos com a equipe e estamos em busca de uma nova doula, o que para mim está sendo difícil, eu já tinha um vínculo e fico desanimada em recomeçar a essa altura da gestação, e por isso também vou adiando novos encontros.
Trabalhar com as mãos
Isso tudo me fez ficar desatenta, deligada de mim e também da Helena. No fim, a gente sabe que não tem controle sobre nada, mas a falsa sensação de que temos nos traz uma segurança e a ausência desta pode descontrolar tudo, principalmente quando encaramos a gestação de forma tão consciente e psicológica.
Sim, a ansiedade ainda está aqui, mas agora eu a compreendo e posso fazer mais e melhor contra ela.
Algo que em muitos momentos me enlouquece é passar o dia em casa "sozinha", acabo perdendo muito tempo fazendo nada, o que me frustra. Até agora, e quase adentrando o último trimestre temos muito pouca coisa para a chegada da Helena. Isso não me preocupa, porém comecei a sentir uma necessidade de aprontar o "ninho", e fazer algumas coisas para ela. No próximo post falo mais sobre isso.
Tenho me ocupado também com o Chá, que eu não sabia se faria ou não, mas já que abri mão do parto, nos sobraram algumas economias e poderei viajar a Porto Alegre para ver minhas amigas e família e comemorar a vinda da Helena.
Reconectar!


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Aqui pensando

Estou devendo o post da 10º semana, mas vai sair atrasado. Ando dormindo muito durante o dia e passando algumas madrugadas em claro. Ansiedade pela viagem, pelo repouso que está próximo do fim, pela vida que cresce aqui, pelo medo do mundo todo.
Na verdade eu precisava desabafar, hormônios malucos, me sinto em uma TPM sem fim. Essa espera pela mudança e ficar em casa sozinha todos os dias, ainda de repouso forçado está me enlouquecendo lentamente. Não consigo me focar, prestar atenção, colocar andamento nos projetos, tudo está parando.
E nessas horas em que fico aqui pensando, de madrugada, uma vontade de chorar sem fim me toma conta. Eu sei que não estou triste e nem poderia estar, estou alcançando muito do que eu queria, planos saindo do papel. Mas é uma angústia sem explicação que vai e vem.
Estou me sentindo só. Por não poder dividir tantas coisas que eu penso, por pensar demais. Eu penso no parto, na criação, em como eu espero que as coisas aconteçam, em como eu quero que aconteçam e surto. Eu sempre pensei demais quando estava prestes a começar algo. Eu tenho a consciência de que nem tudo pode acontecer como eu penso, mas preciso pensar nessas coisas. E não poder dividir, me dói.
Poucas pessoas sabem dos nosso planos para o parto, a consulta com a parteira daqui me fez repensar essa ideia. O Ric se comprometeu a fazer de tudo para que um PD seja possível, mas a falta de apoio emocional da parte dele me faz pensar em como eu vou conseguir seguir assim, por minha conta e risco. Há momentos em que me sinto forte e capaz de ultrapassar por tudo, resolver tudo, mas em outros só queria me esconder nas montanhas e deixar a natureza fazer seu papel.
Há algumas semanas, eu estava conversando com a minha irmã, e falei sobre minhas expectativas sobre as fraldas de pano. Me arrependi demais disso. Ela decidiu contar pra todo mundo e tornar isso uma grande piada, com diversas ideias erradas, do tipo "tu não é índia nem pobre pra isso" ou "não vai fazer meu afilhado passar vergonha por causa dessas coisas que tu tá lendo por aí". Não toquei mais no assunto, mas nem preciso, é só olharem para a minha cara e soltarem alguma. Depois dessa é óbvio que não vou nem comentar sobre o parto.
Mas fico pensando, como as outras mães fazem? Como funciona isso de acreditar tanto em nossos ideais ao ponto de seguirmos sozinhas? Contra a correnteza?
Tem dias que eu queria fazer como todo mundo faz...


Ouvindo:
The blower's daughter - Damien Rice
Outras Frequências - Pouca Vogal

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

E a tranquilidade!?

Gente, eu comecei a escrever esse post na terça-feira e esqueci, segue atualizado.
15DC
Existe TPF? (haha) Já vou adiantando que comecei a semana nada bem, tava desanimada, cansada com tudo.
Comecei a malhar há duas semanas, mas eu não gosto de academia, não gosto do ambiente, não gosto da música e me sinto numa câmara de tortura. Pra ajudar, engordei dois kg na primeira semana e isso me deixou bem desmotivada a continuar.
Então ontem (segunda-feira) eu fui pra casa bem tristinha, mantive esse ânimo na academia e voltando pra casa. Treinamos, mas pela primeira vez, eu não estava com vontade, desanimada total. Me sentindo mal porque está calor e eu fico inchada e irritada.
E foi assim que eu comecei esse post hoje de manhã (terça-feira).
Acontece que “a vida é uma caixinha de surpresas” e eu comecei a ler os blogs amigos, visitar alguns textos que eu tinha anotado aqui. E isso foi me alegrando um pouco, li um relato de parto natural, me emocionei e na hora me deu uma vontade incontrolável de fazer alguma coisa, eu nem sabia o quê! Mas como estava toda lacrimejante saí do escritório e fui dar um tempinho no banheiro e comecei a me alongar, e me senti tão conectada ao meu corpo. Logo vi o muquinho egg querendo aparecer e me deu ânimo, uma sensação de estar bem comigo.
Mesmo inchada, acima do peso e irritada meu corpo está funcionando perfeitamente bem, ele está colaborando e eu estava lutando contra isso, e eu sei que mesmo sendo chato, tudo que estou fazendo é uma preparação para gestar e parir o feijãozinho. Na hora me deu uma vontade de gritar: EU VOU PARIR! Rsrsrs
É junto com isso durante o almoço veio o assunto parto (trabalho com muitas mulheres) e uma colega foi categórica ao informar que com certeza vai agendar uma cesárea bonitinha porque não aguenta sentir dor. E eu numa felicidade só, lembrando do relato de parto e pensando, “é dor de vida, é dor de vida”, EU QUERO SENTIR!!!
Gente, to viajando demais? Muito fora da casinha? Help me!!!
Vou postar isso aqui amanhã porque, cara, eu acho que escrevi tudo errado (daí to postando só hoje).
Depois à tarde ouvi de novo isso da cesárea ser mais segura, mas não tive oportunidade de falar nada, fico triste em saber que as pessoas tomam decisões sem procurar informação, sem conhecer bem o seu corpo, ou o que realmente é melhor para si e seu bebê. E penso que de certa forma, estou fazendo a minha parte, estou compartilhando com as pessoas que me dão oportunidade de falar sobre o que estou aprendendo e isso tem sido muito legal. Talvez seja pouco, mas acredito no menino que jogava de volta para o mar uma conchinha de cada vez.
Hoje fui ler o post e vi que nem estava tão confuso assim, mas quando fico feliz parece que as palavras saem numa velocidade incontrolável e não consigo revisar depois.
Eu continuo feliz, e a depois da segunda-feira tensa a tranquilidade retorno por aqui. Se meu presentinho de Natal vier, só saberemos em 2014 mais precisamente no dia 2. To pensando se terei me arrependido por beber ou por não beber. :/
E por aí? Como estão as expectativas de fim de ano?

terça-feira, 26 de novembro de 2013

DESABAFO

 Eu não sei se continuo nas tentativas ou desisto de tudo de vez. Nos últimos dias tenho me apegado de uma forma violenta a esse novo objetivo de vida e não sei o que terei se desistir. A verdade é que tenho medo de continuar, medo de dar certo, de não dar em nada, de a minha ansiedade e falta de capacidade coloquem tudo por água abaixo. Isso me faz pensar no que tanto escuto nos grupos de tentantes. Ele só virá quando você estiver pronta, eu sei que não estou, sei que tem muita coisa mal resolvida dentro de mim. E talvez eu estivesse esperando que uma gestação limpasse isso. Eu sei que não, sei que na verdade eu preciso limpar o terreno para poder encarar uma gestação.
Estou pensando nisso tudo porque ontem briguei com o Ric, eu sempre soube que ele não concordava com o parto humanizado, mas ouvir dele que pode acontecer alguma coisa errada me soou como "eu não confio em você". Eu estou muito sensível (hormônios da TPM?) e na hora eu queria chorar e correr, queria que ele me abraçasse e dissesse que temos medo mas que tudo vai dar certo. Ele é tão prático e objetivo e isso me irrita, especialmente quando estou muito sentimental. Eu sei que deveria ser mais racional, e dizer o que realmente penso, mas como toda mulher digo o contrário e ele me deixou sozinha no meio da rua, porque eu disse "tudo bem, vai correndo". Eu queria cavar um buraco e me enfiar, só pensava em chorar e correr. Não consegui correr porque estava com uma fraqueza estranha. Sentei e chorei, caminhei um pouco mais e fui sentando e chorando quando não conseguia mais. Quando cheguei em casa ele ainda não estava lá, e fiz o que disse que não faria mais. Mexi no celular dele e vi que ele continua falando com a ex. Isso doeu porque ele tinha me dito que ela estava longe e eles nem estavam se falando. Ele tem uma necessidade de ajudar essa menina que eu não entendo. Me dói! Ver que ele mentiu pra mim, que ele estava tentando me esconder isso, mesmo que eu saiba que não tinha nada demais nas mensagens, me dói saber o quanto ele se preocupa com ela, a solidariedade dele dói demais em mim. Não é algo que eu consiga compreender, talvez porque as pessoas com quem me relacionei tenham me feito tanto mal, minhas separações foram tão dolorosas que eu não consigo entender a relação dele com a ex. Eu digo que gostaria que ele fosse sincero mas também não tenho certeza quanto a isto. Não sei como eu reagiria, especialmente depois de ontem.
Eu cheguei em casa e chorei, por talvez estar perdendo alguém de quem eu gosto, por quem eu faria muita coisa. Que ele deveria ter uma companhia melhor que eu. E ele chegou e eu chorei até altas horas, eu odeio quando isso não o incomoda. Nessas horas eu queria que ele deixasse o orgulho de lado, que se desarmasse, fico inquieta porque estamos distantes e ao mesmo tempo esperando que ele tente mudar isso, sempre sou eu que acabo me aproximando, que desisto do que penso, eu queria que pelo menos uma vez ele fosse contra alguma coisa por mim. Eu sei que isso não é prova de amor e racionalmente nada disso faz sentido, mas quem pode explicar pro meu coração? Tenho uma bola na garganta e um peso no peito. Ainda não sei se ele volta...