terça-feira, 9 de junho de 2015

Batizado e brincos: porque não?

Aqui venho eu querendo criar polêmica. Eu infelizmente não consegui alimentar o blog de forma linear e ordenada, mas acredito que esse (além do diário escrito que tento manter), seja um registro do que eu penso hoje e porque tomei essas decisões. Acredito que eu possa voltar aqui repetidas vezes e repensá-las e até mesmo esclarecer à minha filha o motivo de tê-las tomado.
Então vamos aos esclarecimentos. Fui criada em uma família católica, batizada, fiz primeira comunhão e crisma, fui catequista, participei do CLJ por 4 anos e abandonei tudo por causa de um namorado, afinal namoros não combinam com religiões onde tudo é pecado. Nessa época, eu já questionava algumas coisas das quais, lendo a bíblia eu discordava, mas tudo era mistério da fé e nada poderia ser questionado. Depois de alguns anos sem participar de nenhuma igreja, conheci a igreja Universal, da qual participei por um ano, e deixei de participar por ser algo que não se encaixava em minhas ideologias. Aprendi muito nessas igrejas e parte do que sou hoje devo aos dias que passei lá dentro, saí sem mágoas e com o coração limpo.
Mas desde essa época eu tinha algo definido: se tivesse filhos eles não seriam batizados. Simplesmente porque não existe base bíblica para esse ato, um bebê não pode declarar sua fé, além disso eu acredito no poder das palavras, não quero me comprometer com uma fé na qual não vou criar minha filha (você sabia que são feitas promessas no batismo?). Que tipo de pessoa estarei ensinando Helena a ser se em seus primeiros dias de vida fiz promessas falsas em nome de uma convenção social?
Nesse ponto partimos para o pai, que não é batizado e nunca entrou em uma igreja católica na vida.
Esclarecido até aqui, vamos aos brincos.
Sei que há toda uma onda e várias pessoas comentando esse assunto. Mas a verdade é que, assim como o batismo, não furar as orelhas foi uma decisão que eu também já tinha tomado. Simplesmente porque ninguém fura orelha de meninos, certo? Partindo desse princípio, é a primeira violência que se sofre, em nome de uma suposta estética apenas pelo fato de ter nascido com vagina ao invés de pênis. Eu tenho as orelhas furadas, uso pouquíssimo brinco porque tenho reação a qualquer metal, tenho um problema de cicatrização e no geral é sempre difícil pra mim o processo, tentei colocar um piercing e foi um desastre, o pai da Helena também não tem nenhum furo, o padrinho dela tem 4 e a madrinha tem dois. No dia em que ela quiser, eu estarei ao lado dela, procurarei uma ótima profissional que já conheço e faremos juntas, simples assim. Ela é um bebê, é linda sem nenhum adereço e eu não me incomodo quando perguntam "qual é o nome dele?", apenas sorrio e respondo: Helena
Apesar de afirmar Helena como "minha filha" não posso acreditar que ela me pertença e eu mande e desmande de seu corpo, me vejo como uma guardiã, alguém que ela escolheu para tomar conta de seu corpo enquanto ela mesma não pode manifestar suas vontades e desejos. Até lá, ela será um bebê.

sábado, 30 de maio de 2015

Apego e Desapego

Sempre acreditei na Criação com Apego e Disciplina Positiva, mesmo antes de saber que ela existia como teoria, tinha verdades concretas que para mim faziam muito sentido. Nunca pensei em deixar um bebê chorando inconsolável, ou obrigar uma criança a seguir convenções sociais, ou mesmo agir com violência. Acredito no nascimento respeitoso, na amamentação exclusiva até o sexto mês e prolongada até onde o binômio mãe-bebê sentir-se bem, no respeito a criança como ser que está ao meu lado e não abaixo de mim.
Até aqui tenho seguido de acordo com os princípios que sempre prezei, mas eu não sou uma mãe apegada. Explico melhor, quando eu estava grávida eu sempre dizia que não me importaria que Helena fosse uma criança "dada", daquelas que vão com qualquer um, não me importaria se ela aceitasse todos os colos e ficasse bem com várias pessoas. Muitos me diziam que quando ela nascesse isso iria mudar, mas não. Intensificou. Exceto pelo fato de que Helena não come e não aceita beber o leite ordenhado fora da teta, fico feliz em saber que eu posso passar algumas horas fora de casa sem sofrer ou causar sofrimento a ela. Muitas pessoas dizem que ao cuidar de uma puérpera é importante ajudar em todo o resto para que a mãe possa dar total atenção ao bebê, mas desde que Helena nasceu eu amo quando alguém chega e ela ganha um colo mais tranquilo e amoroso, enquanto eu tomo um banho longo, descanso meus braços e converso com calma com outros adultos. 
Viajamos pela primeira vez quando Helena tinha 2 meses, só nós duas, 2h de viagem de ônibus até a casa da minha irmã. Lá ela desfilou entre o colo da avó, da tia e dos primos e eu descansei tranquila. Viajamos novamente ao completar 3 meses, para Porto Alegre, 6hs de viagem e ela se mostrou uma ótima parceira, dormiu tranquilamente onde estivesse, ficava sozinha brincando, e recebia colo de tias, bisavós, primas e amigas. Na viagem de volta pegamos uma tranqueira e nós duas estávamos cansadas, com calor. Duas desconhecidas se ofereceram a ficar um pouco com ela no colo, eu permiti, ela se divertiu, relaxou e eu pude descansar para então dar toda minha atenção novamente a ela. 
Um mês depois, conversando com a Kika (doula) ela me perguntou se eu saía sem Helena, e conversamos sobre a importância de eu começar a retomar pequenas atividades solo. Essa conversa foi maravilhosa e até hoje falo sobre isso com minhas amigas mães e gestantes, é preciso um passo de cada vez em direção a nós mesmas, a nos reencontrar. Comecei então a fazer zumba 2x por semana, era 1h30 que eu ficava fora e meu pensamento não ficava em casa, ele voava, flutuava. Eu conseguia desconectar, e isso muitas vezes me fez sentir culpada. Mas então eu pensava em como eu conseguia voltar pra casa disposta e tranquila, mesmo depois de 1h pulando e dançando sem parar, eu tinha um pique pra brincar e ninar Helena, e mesmo que ela demorasse a dormir à noite eu conseguia acompanhá-la. Nessa época vivemos o salto de desenvolvimento dos 4 meses, quando Helena passou 4 semanas acordando de hora em hora durante a noite.
Quando Helena completou 5 meses decidi voltar a trabalhar, ordenhava o leite, congelava, e o pai oferecia à ela. Eu passava 8hs longe, eu me sentia bem saindo de casa, conversando com adultos, mas Helena e o pai não se adaptaram. Ela estava bem, dormia, brincava mas não tomava o leite (até mamadeira eu tentei). Pensamos em adiantar a Introdução Alimentar, chegamos a fazer algumas tentativas frustradas, mas eu sabia que ela não estava pronta e sabia também dos males de uma IA precoce. Melhor oferecer Leite Artificial do que introduzir sólidos antes do tempo. Mas o problema não era o meu leite, era que ela não queria "mamar" fora do peito. E depois de 21 dias de trabalho, decidi parar, não estava funcionando para nós, não naquele momento. 
Eu decidi escrever esse post porque nesse exato momento, Helena está com os dindos enquanto eu assisto uma palestra, pertinho de casa. Depois posso descansar um pouco e pegá-la mais disposta e mais leve para que sigamos nós duas. 
Eu aprendi nesse caminho com a Kika que para dar, precisamos ter. Eu não poderia me doar 100% para minha filha, porque aí não sobraria nada para multiplicar e continuar doando, é preciso guardar um pouco e recarregar. A gestação e o parto são momentos lindos, sublimes, mas depois disso resta pouco de nós e o cansaço do dia a dia vai nos engolindo. Além disso essa rede social materna nos coloca essa ideia de que precisamos nos dedicar 100% a maternidade e deixar de viver, mas isso não é verdade. Tempo ocioso é preciso, produzir é preciso. Sabe aquela história de primeiro colocar a máscara de oxigênio em si mesmo, para então colocar na pessoa ao seu lado mesmo que ela esteja desacordada? A maternidade é assim, só podemos ajudar nossos filhos a respirar após estarmos munidas, inteiras, e com a nossa própria máscara. Só ensina amor próprio quem consegue amar a si mesmo em meio ao caos.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Planos para o Novo Ano e o Papai

Tenho rascunhos aqui que comecei há meses e ficam meio sem conexão. Fico tentando lembrar o que eu queria ter escrito na época e hoje eles tem um significado completamente diferente. Antes de Helena nascer já tínhamos algum planejamento para esse ano, afinal nos mudamos no ano passado, mas como eu estava grávida, ficamos meio inertes e deixamos a coisa rolar, a vida melhorar.
E assim foi, as coisas foram indo cada uma para o seu lugar, os dias foram ficando mais leves, o fim do ano se aproximou e começamos a planejar. E quando se tem um bebê e a possibilidade de estar em casa o tempo todo com ela, os planos se dividem entre razão e emoção, entre as necessidades da mãe, do pai e do bebê. Planejamos que eu ficaria com a Helena até que ela completasse um ano, para começarmos a pensar em creche, mas quando o Ricardo mudou o turno de trabalho para a noite, conversamos que seria possível eu retornar ao trabalho antes, assim ele ficaria com ela em um período do dia para que eu pudesse trabalhar.
Eu trabalho fora e estudo desde os 16 anos, sempre gostei de trabalhar. Quando pensava em ter filhos, imaginava parando por pelo menos dois anos para me dedicar 100% a essa fase tão importante da vida do bebê, mas nem sempre a realidade atende aos nossos sonhos. Na metade da gestação, quando saímos de Porto Alegre eu deixei pra trás faculdade e trabalho, e isso foi muito pesado para mim, emocionalmente. 
O nascimento de Helena me abriu às mais diversas experimentações e tentativas. Tentei recomeçar a faculdade mas ainda não consegui, retornei ao mercado de trabalho em período parcial mas não nos adaptamos (durante 21 dias eu me senti bem saindo de casa, mas Helena não aceitava o leite ordenhado e o marido estava ficando tenso com a rotina de trabalho). Ainda estou trabalhando em algo em que eu possa conciliar o tempo com Helena, sem prejudicar a família. Retomamos a decisão de não colocá-la na creche, mas sempre cientes de que qualquer decisão pode ser revista e repensada em qualquer tempo.
Hoje, finalmente estamos mais tranquilos para pensar no futuro e nas múltiplas configurações de trabalho que o mundo nos proporciona. Hoje eu sei que escolhi um parceiro que sempre estará ao meu lado, pronto pra o que der e vier. No próximo post vou falar mais sobre como tem sido a paternidade ativa aqui em casa.



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Notícias

Mais de dois meses sem notícias e eu ainda volto aqui.
E tanta coisa aconteceu, e tanto já mudou e os rascunhos já não fazem o menor sentido. E nem leitores eu devo ter.
Mas eu ainda espero que esse blog esteja aqui como um registro, para que Helena saiba o quanto foi desejada, esperada e querida.
Já não me recordo das particularidades de cada mês, dos primeiros saltos de desenvolvimento, do baby blues (ainda bem que postei sobre ele), das dificuldades. E começo a entender porque com o tempo a maternidade se torna tão doce, e os relatos de parto tão belos.
Nesses meses que se passaram eu tentei voltar a trabalhar, desisti, nos mudamos, passamos por uma crise de relacionamento, pensei em jogar o bebê pela janela uma dúzia de vezes, pensei em sair correndo também, escrevi e idealizei alguns projetos, desisti de outros, sonhei com chupetas e mamadeiras em muitas noites, fiz muita cara de alface, começamos a IA, criei o instagram do blog (@pequenoprevisto), uma página no face e estamos trabalhando em um layout personalizado.
Então espero que os próximos dias, semanas e meses sejam de produção e finalização de muita coisa por aqui, espero colocar as postagens em dia e atualizar sobre tudo o que Helena nos trouxe e vem trazendo.
Vem comigo?

terça-feira, 17 de março de 2015

O Puerpério: Baby Blues?

Puerpério /s.m/ pu·er·pé·ri·o (Priberam)
substantivo masculino
1. Dores e ânsias da mulher puérpera.
2. Período do parto

Puérpera / / pu·ér·pe·ra 
(latim puerpera, -ae)
adjetivo feminino e substantivo feminino
Diz-se de ou mulher que deu à luz muito recentemente. = PARTURIENTE

Nesse link há uma explicação fantástica sobre o puerpério, e recomendo que todas as pessoas leiam para conhecer um pouco mais desse período avassalador da nossa vida. Mas quero falar aqui sobre como esse período tem acontecido e transformado nossas vidas.
Esse fragmento do texto da Laura tem muito a ver com a minha forma de ver o puerpério: "o parto é sobre tudo um corte, uma quebra, uma brecha, uma abertura forçada, igual à erupção do vulcão que geme desde as entranhas e que ao lançar suas partes profundas destroem necessariamente a aparente solidez, criando uma estrutura renovada."
Foi assim que me senti após parir, eu sabia que seria uma quebra, morte e vida. Mas ao mesmo tempo, é muito individual para cada mulher, não acredito que uma mulher consiga passar imune ao nascimento de um filho, seja ele natural ou cirúrgico. Então, após o nascimento de Helena estava eu, quebrada, partida, renascida e vazia. Eu sabia que aquele amor de que falam poderia não nascer com meu bebê, mas nasceu. No momento em que tomei Helena em minhas mãos, ainda coberta de vérnix me apaixonei. O toque, o calor, o cheiro, o brilho nos olhos, essa sensação é indescritível. E junto, pra mim, era a sensação de: Acabou, eu pari, eu e ela trabalhamos juntas lindamente.
Passadas algumas horas eu permanecia no êxtase do nascimento, do parto, ocitocina a mil. No dia seguinte, quando recebi alta, eu estava sozinha no hospital e esperei a tarde toda até que alguém pudesse me buscar, e chorei muito. Eu me sentia triste por estar no hospital, pensava em todos os "e se" do parto, olhava para Helena e dizia a ela tudo isso, eu sempre soube que deveria explicar a ela o que estava sentindo e assim foi desde o primeiro dia. 
Quando chegamos em casa, eu finalmente descansei, o leite desceu e começou a saga que vocês já conhecem pela amamentação. Foram dias e noites longas e difíceis em que eu seguia conectada com minhas doulas lindas, que sempre me atendiam e me orientavam (Tenha uma Doula!). Uma noite enquanto eu tentava fazer com que Helena pegasse o peito enquanto ela chorava o Ricardo falou "ela é preguiçosa, o peito está aí e ela não mama", essa frase bateu em mim como um soco (já ouviu falar de simbiose?), eu sentia que ele estava me xingando e não a ela. E isso se confirmava por dias e dias. Eu chorava e ela não se acalmava mais, eu saía do quarto, saía de casa, caminhava e aquela tristeza, aquela sensação de estar fazendo tudo errado ia se fortalecendo. Junto a isso eu pensava em tudo o que não tinha sido como eu esperava no nascimento da Helena, me sentia em falta com ela. Eu a amava, estava finalmente com a minha filha saudável nos braços mas tinha uma vontade imensa de sair correndo, de me acabar chorando.
"Estima-se que mais de 80% das mulheres que dão à luz sofram do chamado “baby blues”. Trata-se de um conjunto de sintomas que aparecem geralmente entre o 3º e o 10º dia do pós-parto e que consistem em alterações de humor, com tristeza ou irritabilidade, e insegurança perante a nova responsabilidade de cuidar do bebé." 
Eu sinceramente acredito que quase todas as mulheres se sintam inseguras e instáveis após o parto, com um filho nos braços que chora, descobrindo-se mães, reencontrando-se no mundo, no seu dia a dia. Eu me sentia extremamente sozinha mesmo estando acompanhada, me sentia nadando constantemente contra a correnteza.
Lendo Laura Gutman, percebi que todos esses sentimentos fazem parte do puerpério e decidi realmente mergulhar de cabeça, desvendar sombras que surgiam dia após dia. Nosso relacionamento passou por uma grande crise, nos tornamos dois solitários dividindo um teto, tivemos que sentar e rever tudo o que estava acontecendo, eu precisei me desfazer de muita bagagem que ainda vinha daquela Tamires que se foi no dia que a mãe da Helena nasceu.
Coincidentemente foram 50 dias "nublados" para mim, ao contrário da maioria das mulheres, o anticoncepcional me deixou mais ativa e bem humorada, porém uma certeza que eu tinha era de que não voltaria a tomar hormônios. Usei apenas uma cartela, e decidi me manter firme e feliz com meus hormônios pós gestacionais naturais.
A maternidade pode ser um momento extremamente espiritual e de um mergulho profundo em nós mesmas, ou apenas uma novidade colorida para as redes sociais. Adentrar o limbo, morrer, renascer, renovar é uma questão de escolha, eu escolhi viver intensamente e vivo as consequências das minhas escolhas. Para mim, tem sido um constante redescobrir-se, um intenso repensar. Acredito que o puerpério ainda não acabou, ainda há o que viver aqui nesse limbo, mas o pior com certeza já passou. E hoje vejo que foi lindo, obscuro, cheio de dúvidas e medos mas lindo. É a nossa história!



quinta-feira, 5 de março de 2015

Amamentação

Acho que todas as mães, após o relato de parto, deveriam publicar um relato de amamentação. Porque assim como não é fácil parir, não é fácil amamentar, e eu acredito que a não amamentação tenha consequências tão duras - senão até mais - que o parto cheio de violência.
Não vou falar aqui sobre as recomendações dos órgãos de saúde, ou orientações para amamentação, isso está a disposição na Caderneta de Saúde da Criança e em grupo do facebook como o GVA (Grupo Virtual de Amamentação), ou também no Banco de Leite mais próximo.
Primeira Mamada da nossa vida - 2,900kg 47,5cm
Eu sempre sonhei com a amamentação, me emocionava com aquelas propagandas do Ministério da Saúde que mostram a mãe cheia de leite com o rebento gordinho agarrado no seio. Assim como queria parir, eu queria amamentar.
Não amamentei Helena na primeira hora de vida, quando ela nasceu não tive o instinto de colocá-la no seio. Apenas fiquei com ela nos braços, depois ela foi para a vitamina K e colírio, e então quando voltou estava dormindo. Ali a enfermeira colocou meu seio na boca dela, ela sugou muito pouco e soltou. Eu não me preocupei, pois sabia que os bebês nascem com energia para as primeiras horas de vida.
Seguimos para o quarto e meu único medo era não ter alta no dia seguinte, só pensava em ir pra casa logo e sabia que para isso a amamentação precisava estar estabelecida. Algumas horas depois, veio outra enfermeira e novamente colocou meu seio na boca dela, dessa vez ela pegou e ficou. Nos primeiros dias Helena era um reloginho, 30 min de mamada a cada 3 horas (em média, nem sempre eu olhava o relógio). Sempre que uma enfermeira entrava no quarto e perguntava sobre a amamentação eu dizia que estava ok, mas Helena não pegava o seio direito. Nossa doula foi nos visitar e relatei a ela, que me orientou a tentar colocá-la para dormir em outra posição e também tentar outras posições ao amamentar.
Tivemos alta e dois dias depois eu acordei no meio da noite com os seios endurecidos e com a camisola molhada, meu leite tinha descido. Então começaram as dificuldades! Meus seios ficavam muito cheios e Helena, muito pequena não conseguia abocanhar a aréola, quando ela conseguia descia muito leite e logo ela se engasgava, desistia e chorava. Foram dias longos, eu conversava com a doula, com azindia do zap zap, ordenhava, massageava enquanto o pai ou minha mãe a acalmavam e oferecia o seio. Era tão difícil fazê-la pegar que mesmo com a pega errada eu a deixava mamar, e com o passar das mamadas meus seios começaram a ficar machucados. Meus dias se resumiam a ordenhar, amamentar, passar leite na aréola, deixar secar, ordenhar e assim por diante. Nesses dias minha mãe foi a salvação, ela cuidou de tudo para que eu pudesse cuidar somente da Helena - ela cuidava de mim também, minha comida, roupa era tudo com ela.
O mais difícil eram as noites, o papai ficava sem paciência, dizia que Helena estava sendo preguiçosa e eu chorava mais ainda e o bebê ficava mais agitado. Nesses dias eu agradecia por nunca ter deixado chupetas e mamadeiras entrarem aqui, porque eu sempre pensava: amanhã eu compro uma e taco na boca dela, e o amanhã nunca chegava, porque as manhãs das mães que amamentam são sempre melhores que as noites. Rsrsrs
Hoje, eu vejo como tudo isso passou rápido, na maternidade tudo passa, você nunca é a única, e a próxima fase é sempre mais difícil. No salto de desenvolvimento do primeiro mês, quando eu pensava que tudo já estava estabelecido, Helena desaprendeu a pega e recomeçamos o processo.
Eu aprendi que temos a tendência de endeusar tudo que envolve a maternidade, não amo amamentar, o ato de amamentar. Amo saber que estou nutrindo minha filha, que meu leite tem nos mantido até aqui e que tudo que ela precisa até o sexto mês de vida eu posso produzir. Nos mantivemos fiéis ao nosso objetivo de não nos render aos bicos artificiais e aqui estamos, firmes, fortes e plugadas.
4m16d - 7,400kg 67cm

terça-feira, 3 de março de 2015

Cantinho da Helena

Desde que nos tornamos tentantes tínhamos algumas certezas do que queríamos/pretendíamos praticar com nosso bebê. Uma delas era o quarto compartilhado, com a mudança essa certeza só se confirmou afinal estamos morando em uma casa de um quarto.
No início da gravidez e com a mudança eu estava bem desanimada em preparar um cantinho para ela, porque ela dormiria conosco e nos primeiros meses não faria diferença nenhuma para ela. Porém com o tempo e o ócio da gestação senti essa necessidade de criar um espaço para Helena, um cantinho com as coisinhas dela, algo especial feito à mão, co carinho.
Um dos pré requisitos desse cantinho era que tivesse cara de criança, sem muito frufru, sem oferecer perigo a ela, e que agradasse aos olhos.
A cômoda foi reformada por uma prima, eu fiz o quadro com o nome dela em isopor e cobri as letras com linha de crochê, o móbile de coraçõezinhos foi presente da nossa fotógrafa. Eu ganhei 2 protetores de berço, mas optei por não usar pelo risco que apresentam e também porque achei feio e poluído. O material de higiene ficou sobre a cômoda, solto mesmo junto com algumas fraldas.
Eu fiquei feliz com o resultado e ficou bem útil, ela usou o berço nos primeiros dias e logo puxamos pra nossa cama, mas fica uma margem de segurança com o berço ali ao lado.
Esse é o Cantinho da Helena, espero que gostem!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Ensaio Fotográfico II

E eu fiquei devendo as fotos do nosso Ensaio Fotográfico Gestante né!
Ganhamos um ensaio da Jéssica Melo Fotografia e foi um momento super especial com um resultado encantador

Aí vão nossas fotos:









segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Das coisas que não fiz na gestação (ainda sobre o parto)

Acredito que estou retornando do limbo pós parto, unido a um computador que não funcionava. Tenho tantos rascunhos com inícios de posts que nem eu sei mais qual era o objetivo quando comecei a escrever.
Então que quando eu conseguia postar semanalmente e participar da Blogagem Coletiva eu fiz uma lista de coisas que eu faria ainda durante a gestação. Eu não sou uma pessoa organizada (gostaria de ser mas não sou), mas gosto de listas, preciso fazer um maior uso delas. Me ensina aí Myriam? (:
Segue a lista de itens pré gestacionais:
- Colocar em dia os episódios das minhas séries favoritas (Consegui assistir todos os episódios de Glee. Quem sabe em outra vida eu volte a assistir séries bacanas que eu amo. Hey mamães! Há vida pós parto? Pós puerpério? Haha)
- Namorar muito o marido (O último tri e a dimensão da barriga - além dos movimentos constantes - tornaram a vida sexual gravídica bem tensa)
- Ler os 4 livros que comprei e estão esperando para ser lidos (Continuam na prateleira e acrescentei à essa lista dois maravilhosos livros que ganhei)
- Continuar o Diário da Sementinha (Helena tem um diário escrito, que parei de escrever no primeiro US #menasmaismaster)
- Montar um quadro de fotos da família (Fotos? Impressão? Sair para imprimir fotos? Haha)
- Fazer uma lista do que o bebê precisa (Nem lista e nem ter o que o bebê precisava, fui pra maternidade eu e minha mala quase vazia)
- Visitar a maternidade do HU (Check!! Uhuulll! Uma tarefa foi concluída com sucesso)
- Ir ao cinema sozinha (Fuén Fuén Fuén Fuén)
- Manter a conexão, a meditação, uma gestação consciente sem excessos (Mais uma! Pari após uma gestação linda, consciente e tranquila)
- Comprar pelo menos dois vestidos (Não consegui encontrar nada que eu me sentisse bem)

E agora estou me perguntando porque esse post deveria ser ainda sobre o parto. Acho que já me resolvi com ele e não consigo mais lembrar o que restava.

Cabe dizer aqui, que meu chá de bençãos não aconteceu (seria na semana 37), eu não terminei o cantinho da Helena antes de sua chegada, as roupas dela não estavam lavadas, ela ainda não tinha fraldas descartáveis. Mas veio com muito amor e o que realmente importava.

3 dias antes do parto - Despedida da barriga

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

49 dias #Helena

Uma hora antes do TP ativo
Após uma tarde inteira de contrações
E aqui está ela, 49 dias fora da barriga.
Aqui estou eu, reaprendendo a ser uma em mim, cada dia mais forte, mais decidida e madura.
Queria ter escrito semanalmente sobre tudo o que acontece com a chegada de um RN na família, mas gente, a chegada de um RN é um verdadeiro furacão, em todos os sentidos. Tenho uns seis posts em rascunhos e eles sairão um dia, tenho planos de me atualizar nos blogs duzamigo e dazamiga, mas tá difícil.  Entendam, não me falta tempo, isso eu tenho, mas ando indisposta pra escrever, as ideias fervilham aqui dentro e não brotam, vai ficando mais fácil postar uma pequena frase no fb do que vir até aqui.
Mas lentamente vamos criando, ou não, uma quase rotina, sem muita neura. Vamos tentar rever os marcos desses quase dois meses de Helena.
Helena nasceu no tempo dela, às 36 semanas e 5 dias de gestação em uma madrugada chuvosa de terça-feira, após 6hs de TP.
Dia 2 - Recebemos alta do hospital .
Dia 3 - saímos para registrá-la. Primeiro banho no chuveiro foi delicioso para nós duas
4. Teste do pezinho. Dormi 4hs seguidas e acordei apavorada pensando que ela esteve passando fome. Segundo o Ricardo, Helena é um bebê calmo porque não foi arrancada como um frango ao nascer (kkkk), o fato é que ela não chora ou eu não dou tempo para isso, sempre atendo aos primeiros sinais de fome ou desconforto. Nesse dia eu, recém parida, há 6 dias sem dormir só pensava que se ela reclamou eu não ouvi porque estava ferrada no sono e ela voltou a dormir com fome. Da série: Neuras e Culpas da Mãe de Primeira Viagem
7.  Primeira Consulta, peso do nascimento recuperado e 1cm de crescimento. Helena estava muito amarelada e a médica pediu que fôssemos ao hospital dosar a bilirrubina. Ela nasceu em uma semana de muita chuva, já tínhamos percebido o amarelado, mas não tinha muito o que fazer além do que já vínhamos fazendo (muito leite).
Voltar ao hospital, num dia frio e chuvoso, com um RN que nasceu prematuro é algo que não desejo a ninguém. Foi o dia mais longo que vivi junto a ela, foi a primeira e última vez que a vi chorando desesperada, e já no fim do dia o alívio, ela não precisou ficar, mas precisávamos urgentemente de sol.
Primeiro Banho na banheira - não gostou
15. Depois de uma semana de sol, retornamos à consulta (3,115kg) e a icterícia já estava controlada.
16. Chegou nosso sling e foi amor a primeira vista
18. Minha mãe, que esteve conosco desde o nascimento da Helena voltou pra casa
24. Primeira consulta ao dentista.
Começou a fixar os olhos
Deixou de usar fraldas RN
25. Nossa primeira viagem juntas. Fomos visitar a vovó em Joinville/SC
32. Desaprendeu a pega, teve uma crise de gases e o primeiro salto de desenvolvimento. Foram três dias de mamadas de hora em hora e que toda superfície que não fosse o colo da mamãe (ou do papai) tinha espinhos.
Para mim, compreender as fases e ter um pouco de conhecimento sobre amamentação ajudou muito. Pude agir com empatia e resistir a tentação da plasticuda. Mas confesso que se tivesse uma em casa, teria apelado, confirmei minha disposição de não ter nenhum desses apetrechos, pois me arrependeria muito de criar essa dependência nela, que no meu ponto de vista só traz malefícios.
DPP 06/11
35. Primeira consulta ao pediatra: Ganho de mais de 1kg no mês, chegamos à 3,995kg e 52cm. E viva a Livre Demanda.
40. Sorriu após a mamada :D
As primeiras roupinhas deixaram de servir
45. Oficina de Sling do Gestar
Hoje: Ela completou 7 semanas do lado de fora

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sobre as Doulas

Há um tempo tenho vontade de escrever sobre as doulas. Há um ano atrás, decidimos engravidar, e com isso busquei informações sobre gestação e parto. Aprendi o que significava parto humanizado, e que não bastava querer um parto, precisava lutar por ele. Mais que isso, descobri que essa luta não é individual, apesar da mulher ser a protagonista, os coadjuvantes são necessários e ajudam a conduzir o processo.
Eu sempre acreditei que o parto fosse um longo processo, que começa muito antes da primeira contração e termina muito depois do expulsivo, e eu estava certa, pelo menos na minha experiência tem sido assim. Descobri quem são as doulas, e entendi a necessidade de ter uma me acompanhando. Ainda nas tentativas, comecei a conversar com algumas doulas. Doulas são mulheres encantadoras, mas cada uma possui suas particularidades, assim como cada mulher tem necessidades diferentes em seu processo. Eu buscava uma mãe, independente de ter parido, para mim a doula tinha que ser uma figura materna, que compreendesse o processo psicológico e emocional que é o parto. Eu sou muito chata, precisava de alguém que fechasse comigo, sem muito esforço.
Assim conheci a Kika, primeira pessoa a ver a foto do palitinho com as duas listras. Lembro de passar a tarde do dia 28 de fevereiro conversando com ela, sobre testar ou não. Segundo dia de atraso, temperatura basal subindo e uma sensação de "não foi dessa vez" ou "não mereço isso tão cedo". Eu pensava que seria um longo processo de tentativas. A Kika esteve lá, durante as tentativas, me doulando. Ela nem sabia se realmente seria minha doula, mas já me doulava. Para mim, é imprescindível que uma doula seja doula, que isso faça parte de seu ser, não é uma profissão, mas vocação. E doular é muito semelhante a maternar, é estar ali para aquele outro ser, é atender aquela dor.
Quando conheci a Kika pessoalmente confirmei todas as minhas expectativas. Eu queria ela no meu parto, queria que ela assistisse o nascimento do nosso bebê, queria aqueles braços ao meu redor. Que abraço! Um abraço com cheiro de mãe, de bruxa, de amiga. E assim seguimos, mas a vida é uma caixinha de surpresas, eu viajei, ela viajou. Nossos planos mudaram, nosso bebê não nasceria mais em casa. Kika não poderia vir nos assistir. Mesmo assim, ela nunca faltou comigo. Não importava o dia ou a hora, ela estava lá respondendo mensagens, ligando, conversando. Ela construiu meu parto comigo, a cada dia da gestação, ela esteve lá comigo segurando a minha mão, mesmo que em pensamento.
Mas com a distância, se fez necessário encontrar uma nova doula. Foi uma longa trajetória, e quase desisti várias vezes. Não por falta de mulheres fantásticas, Floripa é quase a capital das doulas, temos muitas, mas eu não encontrava uma para chamar de minha. Certa vez conversando com a Kika comentei que essa busca era como quando procuramos um novo namorado, mas ainda somos amigas do anterior. É difícil não comparar, é difícil se desligar do que foi, pois o amor está ali e eu não conseguia imaginar outra pessoa me assistindo, me abraçando, segurando minha mão, dando continuidade nesse processo que vínhamos construindo. Mas então a Kika me apresentou a Carol, trocamos mensagens mas foi difícil marcar um encontro, um dia eu estava quase desistindo e então o universo trabalhou e finalmente nos conhecemos.
Encontrei a Carol no centro comercial onde funciona a loja dela. Logo que me viu ela me identificou e nos abraçamos, ali eu já sabia que seria ela. Senti a mesma energia do dia em que conheci a Kika, conversamos uma tarde toda, sem sentir o tempo passando. Marcamos então um próximo encontro com a presença do Ricardo, e se deram tão bem que parecia inacreditável.
Talvez você tenha reparado no meu relato, mas a doula não esteve presente no meu tp. Foi um tp rápido em uma noite de muita chuva, e eu acabei indo para o hospital antes que ela chegasse (me culpei muito por isso). Mesmo assim, eu digo que nada teria sido como foi se elas não tivessem existido, se elas não tivessem construído esse processo ao meu lado, e esse trabalho só uma doula pode fazer.
Ainda hoje, 27 dias após o nascimento de Helena, elas me doulam. Elas estiveram ali quando chorei pelos ocorridos e não ocorridos, elas seguraram minha mão a cada contração, elas me abraçaram e eu senti o mesmo cheiro durante meu trabalho de parto.
Se você é mulher, se você vai gestar ou parir um dia, se você é gestante ou tentante, procure uma doula. O processo sem ela, pode ser muito raso, pode ser mais doloroso, pode ser menos alegre. Porque com ela certamente será mais profundo, belo e completo.

"Se a doula fosse um remédio, seria antiético não receitar" John Kennell

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Helena

Nasceu!
14 de outubro de 2014
Às 3hs da manhã
2,950kg
47,5cm
Estamos organizando tudo, logo volto com mais informações

22 dias

Primeiro preciso pedir desculpas aos blogueiros amigos, o puerpério não é fácil e ainda não consegui visitar os blogs e me atualizar dos acontecidos, nem ler emails. Aliás, mal e mal consigo me atualizar das mensagens enviadas pelo face e whatsapp. Tenham paciência com a recém mãe aqui, espero que logo eu me organize e possa visitar cada cantinho e retribuir tanto carinho que sempre recebo por aqui.
Hoje Helena completa 22 dias fora da barriga, amanhã é nossa DPP, dia em que completamos 40 semanas unidas, 280 dias de nós duas.
Nesses 22 dias é a primeira vez que sento diante do netbook para escrever, o último post foi pelo celular, e por isso tão mal formatado. Meu relato foi escrito entre madrugadas, enquanto Helena dormia ao meu lado. Eu poderia ter esperado mais tempo para escrevê-lo, mas a cada dia que passava a sensação real se tornava mais distante e dava espaço a uma emoção romântica, algo surreal entre contos de fadas e histórias doces. Eu não queria uma história bonita, queria a minha história real, e assim foi.
Meu parto me doeu! Isso pode ser inaceitável pela sociedade, mesmo a ativista. Tive um parto que a maioria das mulheres sonha, um parto rápido, um expulsivo tranquilo. "Livrei-me" da tensão e dos incômodos da reta final da gestação. Mas eu não sou a maioria, não tenho os mesmos desejos de outras mulheres, e honestamente peço apenas compreensão e respeito. Chorei meu luto, pelo meu parto rápido e prematuro, por resistir à dor, por estar sozinha. Chorei perder os "incômodos" da reta final. O parto é meu, a gestação é minha e eu queria tudo isso, eu planejei viver tudo isso, e é legítimo o meu sentimento de frustração por não ter vivido.
Mas ao mesmo tempo a felicidade é sem tamanho, pelo parto, pela dor (que foi muita, e que eu não esqueci e nem quero esquecer), pelos limbos que ainda estão sendo preenchidos, por ter minha filha nos braços em seu primeiro minuto de vida, por sentir seu cheiro, seu gosto, ver seus olhos se abrindo, ouvir um quase choro tão suave, isso tudo é único, não se repete e (in)felizmente não registramos, está somente na memória e eu sei que nunca esquecerei, fecho os olhos todos os dias e estou lá, gritando em um momento e sorrindo no momento seguinte. Essa sensação, quem opta por não parir nunca vai sentir ou entender, como uma dor tão intensa se acaba em instantes.
Logo após parir, eu me levantei sozinha da banqueta e caminhei até a maca, uma hora depois me levantei da maca e caminhei até outra maca para ser transferida, duas horas depois tomei banho sozinha, no mesmo dia caminhei pelo corredor do hospital com minha filha nos braços, no dia seguinte tivemos alta e só dormi 3 dias depois. O cansaço era imenso, mas a alegria, o êxtase não me deixavam pregar os olhos, como seu eu fosse perder o tempo dela, tão escorregadio.
Ainda tenho muito a escrever sobre esses 22 dias, e os próximos que virão, mas por hora é o bastante.
Acrescentando algumas informações:
Apesar de prematura, Helena nasceu muito bem, Apgar 9/9, não necessitou nenhum cuidado além da companhia e colo da mamãe, ambas tivemos alta na manhã seguinte ao nascimento.
O parto ocorreu no Hospital Universitário de Florianópolis.
Não fiz nenhum preparo do períneo para evitar laceração.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Relato de Parto - HU Floripa SUS

Eu desejei um trabalho de parto longo
Desejei gestar além das 40 semanas
Sentir a areia nos pés durante o trabalho de parto
Conhecer as ondas sobre as quais tantos falam
Montei uma lista de músicas
Pensei no que gostaria de comer, nas pessoas que estariam por perto 
Não idealizava um momento perfeito, mas contava com alguns ingredientes que julguei necessários
DPP 06 de novembro de 2014
Por volta de 29 semanas, Helena dava sinais de sua vinda. Comecei a sentir dores intensas nos quadris, uma vontade de rebolar, agachar, ficar de quatro. Mas eu sabia que tudo isso é normal, que mesmo sentindo isso o TP poderia engrenar muito mais tarde.
Com 32 semanas e 6 dias perdi uma parte do tampão mucoso, já sentia contrações de treinamento constantes. Por esses dias me surgiu uma sensação, talvez Helena chegasse em Outubro. Não queria dar muita atenção ou criar expectativas sobre isso, sabia que o tampão se refaz, segui apenas observando.
Foram dias de introspecção, necessidade de silêncio, afastamento. Programei atividades para a reta final, cuidar de mim, curtir a barriga. Fiquei extremamente sensível, chorando sem motivo aparente e pelos motivos mais banais.
35 semanas, mal estar,  leve alteração de pressão, muito inchaço,  ainda assim tudo seguia normal, eu sabia que esses desconfortos estavam no pacote.
36 semanas e 3 dias enjoo, dor de barriga, desconforto abdominal, dor de cabeça. Uma noite mal dormida e no dia seguinte acordei com mais tampão, cansada mas muito ativa, arrumei algumas coisas em casa. Após o meio dia começaram cólicas chatas, parecidas com menstruais, essas vinham em ondas, esse era o momento de ir até a praia, mas eu não dei crédito a elas. Em uma onda o Ricardo me olhou e disse: tu tá com cara de quem vai parir hoje. Ignorei.
Conversei com as doulas, a Carol me orientou a descansar, ficar no escuro em silêncio. Passei a tarde com contrações irregulares e desritmadas, deitei, ouvi as músicas da playlist do parto, decidi excluir algumas. Às 17hs tudo parou, como se nada tivesse acontecido. Ricardo me preparou um lanche.
Precisava descansar mas me dei conta de que nada estava pronto, lavei algumas roupinhas, organizei documentos, bolsa, berço. O Ricardo quis chamar minha irmã para passar a noite comigo, mas eu estava bem, incrédula de que seria logo, afinal ainda seria um parto prematuro, eu precisava de tempo (Helena não). Ele foi trabalhar e eu fiquei em casa, ainda não estava bem, não me alimentei direito. Às 21h fui preparar algo para comer, sentei para procurar um filme, relaxar, nesse momento senti a primeira Contração, assim com C maiúsculo, essa foi diferente de todas as cólicas que eu vinha sentindo. Algumas mulheres relatam sentir cólicas ou mesmo uma dor de barriga, mas aqui não foi nada disso. Sabe quando falam que você saberá quando for uma contração? Que é uma dor inexplicável? Pois é. Dói muito!! É um negócio que vem pelas costas e desce até as pernas, algo entre um choque e uma pancada. Eu estava sentada e saí caminhando, não sabia o que fazer, me joguei na cama e gritei, não queria sentir aquilo, resisti muito à dor, tive dificuldade em encontrar uma posição "possível" de suportar, eu gritava e resistia, eu negava, pedia para parar, chorava. Falei com a doula e comecei a contar, estavam vindo a cada 10 min, ela pediu que eu tentasse descansar, ainda havia muito pela frente, eu só pensava que não aguentaria esse muito, queria dormir, precisava de uma noite de sono, meu corpo estava muito dolorido e cansado, minha cabeça não funcionava, eu não conseguia fazer o que precisava.
Estava em contato com a Carol, que logo viria, ela ia me orientando.  Escrever, conversar ou descansar entre as contrações era uma tarefa quase impossível,  fui para o chuveiro com a intenção de que parasse, eram tantos relatos em que as dores diminuíam com um banho quente. Lá fiquei de quatro, deixando a água bem quente cair sobre a lombar, era a melhor posição possível, ainda assim não consegui relaxar, voltei pra cama. Sabia que deveria tentar me movimentar, rebolar, etc. Mas meu corpo pedia descanso.
Às 23hs o intervalo reduziu para menos que 5 min, com duração de 1min, voltei para o chuveiro e elas seguiram nesse ritmo até meia noite, quando parei de contar. Eu me sentia extremamente vulnerável e desprotegida, queria muito alguém perto, precisava de alguém que segurasse a minha mão, eu parecia estar andando em uma estrada abandonada, cada kilometro a frente era desconhecido e assustador. Precisava lembrar o propósito da dor, mas não conseguia.
Às 1hs da manhã decidi chamar minha irmã, eu sabia que ela chegaria nervosa e tensa, mas pensei que pudesse contornar a situação se explicasse o que precisava e se ela mantivesse contato com a doula. Como previsto, ela ficou muito assustada ao me ver com dor, pediu que fôssemos para o hospital,  eu ainda não queria ir, queria mais tempo, queria relaxar primeiro, mas ao mesmo tempo eu sabia que o Ricardo estaria lá, o tempo todo ele foi minha fortaleza e eu sabia que com ele tudo ficaria bem. Concordei em seguir para o hospital, caía um temporal em Floripa naquela noite e meu cunhado não conhecia o caminho. Entre as contrações eu orientava minha irmã a terminar de arrumar minha bolsa e me vestir. O Ricardo nos encontraria no meio do caminho e conduziria até o hospital. O caminho foi extremamente doloroso. Deitei de lado no banco de trás, com vários travesseiros. Pedi meias pois sentia frio nos pés. A cada lombada ou curva eu gemia e gritava de dor, além das contrações. Antes de sair de casa pedi que a Tamara pegasse sacolas pois estava enjoada, já no meio do caminho ela me alcançou uma sacola, vomitei no carro. Eu gritava pedindo pra descer, para chegar logo.
Chegando lá vi Ricardo na porta do carro, meu porto seguro, relaxei. Disse a ele que já não aguentava mais, que não conseguiria. Ele me segurou firme e me encorajou, estava seguro e em paz, sua voz e suas mãos era firmes. Pediram uma cadeira de rodas, mas eu sabia que precisava caminhar, e que a dor era muito mais intensa sentada. Fizeram o registro e subimos até a maternidade, Ricardo pediu que eu subisse na cadeira pois seria mais rápido. Eu não pensei em anestesia, mas queria um intervalo entre as contrações, eu pensava que poderia aguentar mas não naquele momento, daquele jeito. Eu desejei que fosse diferente. Mas já não havia mais o que esperar ou desejar, era o momento, o momento dela e não o meu. O Ricardo foi maravilhoso desde o momento em que nos encontramos na maternidade, suave e gentil, me encorajando o tempo todo, foi elogiado por toda a equipe do hospital. Chegamos na triagem, pressão ok, me pediram para deitar para ouvir o bcf do bebê e fazer o toque, o segundo em toda a gestação. Deitar de barriga pra cima era dolorido, eu me virava durante as contrações. Depois de muita insistência e apoio do Ricardo consegui enfim ficar parada, batimentos ok, na hora ela não falou quanto de dilatação,  apenas que eu estava muito bem. Fiquei pensando, quanto é esse muito bem? Eu só lembrava que logo eu poderia ir para o chuveiro. Tinha muitos papéis para preencher, fizeram as mesmas perguntas para o Ricardo e depois para mim mais de uma vez enquanto isso eu ficava sentada no consultório. Em algum momento passei a ficar de quatro durante as contrações. 
A médica sentou-se diante de mim e explicou,  para o parto você precisa ter 10cm de dilatação, agora você está com 8cm, isso é ótimo, vc já ultrapassou 2/3 do caminho. Um dos meus desejos era chegar ao hospital com pelo menos 8cm, nesse momento fiquei aliviada. Sabia que ainda tinha estrada a frente, mas muito já tinha caminhado, podia avistar o topo da montanha. Dali fomos até a sala de pré parto, eu caminhava com a ajuda do Ricardo e durante as contrações me colocava de quatro no chão e gritava, em algum momento senti uma água escorrer durante as contrações, acredito que tenha sido a bolsa, a partir daí cada contração eu sentia vontade de fazer força e mais água escorria. Encontramos uma enfermeira no corredor que pediu que eu caminhasse sozinha, que o Ricardo parasse de me apoiar, assim fizemos e segui caminhando, ela disse que não me colocasse de quatro mas ignorei e segui atendendo meu corpo. Quando entramos no pré parto, novamente precisei ficar deitada para ouvir os bcf e verificar a dilatação. Dessa vez eu estava mais disposta, segurei firme a mão do Ricardo e aguentei. Dilatação total me disse o médico, só falta o bebê descer. Nessa hora alguém falou "há 40min estava com 8cm" eu perdi completamente a noção do tempo, parecia muito menos. Nessa hora entendi que não me deixariam ir para o chuveiro, fiquei de lado na cama e apertava os braços do Ricardo, logo vieram com soro explicando que eu precisava tomar um antibiótico pq estava em tp prematuro. Dissemos que eu não queria soro, e explicaram novamente que não era ocitocina, falaram o nome do antibiótico mas eu já não conseguia pensar, principalmente porque não conhecia os riscos de um tp prematuro, permiti. O médico retornou e pediu que eu ficasse novamente para cima, já dava pra ver o cabelo da Helena. Nesse momento me pediu pra fazer força mesmo fora da contração para ver o cabelo dela, ignorei. Logo veio uma contração e ele me pedia pra fazer força, fiz e me diziam que estava errado, era pra fazer força "embaixo" e não no pescoço, me pediram pra encostar o queixo no peito. Ricardo perguntou se eu ficaria na cama, pois sentia muita dor e não queria parir assim, responderam que seria assim. Ele insistiu, trouxeram a banqueta. Notei um relógio em frente a cama 2h50. Desci e sentei na banqueta, as contrações já estavam bem próximas, segui meu corpo que já fazia a força durante a contração, o corpo de Helena descia, mais uma e senti a cabeça dela saindo, e todos diziam a cabeça está aqui, eu não olhei, precisava me concentrar para ajudar meu corpo, ajudar minha filha, mais uma contração e senti o corpo dela deslizando suavemente, agarrei ela das mãos do médico e coloquei no meu peito. Não a coloquei no seio, não pensei em amamentar, apenas queria sentir seu cheiro, sua pele, olhar em seus olhos. Essa parte é verdade o que dizem, tudo desaparece, o mundo, a dor, o tempo. Ouvi alguém dizer: três horas. Helena nasceu às 3hs. Nasceu coberta de vernix, branquinha, quentinha, com seu cheiro único, de olhos abertos, não chorou apenas resmungou, e me olhou nos olhos, e olhou seu pai. Sentir esse corpo sobre o meu naquele momento exato, é como o fim do mundo, o fim da vida, o fim do tempo. O meu tudo estava ali naquele momento. Não chorei, apenas sorri e agarrei minha pequena, tão pequenina quanto eu jamais poderia sonhar. Disseram que o cordão ainda estava pulsando, toquei o cordão que ainda nos ligava, ainda nos fazia uma, agradeci por pulsar. Ele parou e perguntaram se o Ricardo gostaria de cortar, ele cortou o cordão. Nesse momento aplicaram ocitocina na minha perna para a saída da placenta. Não me perguntaram, apenas aplicaram, só entendi depois o que era. O médico segurou o cordão e deu um pequeno puxo, me avisou que eu sentiria uma cólica, senti apenas a placenta descendo. Me inclinei sobre Helena e a vi, agradeci pelo seu papel, por alimentar e nutrir minha filha. Logo levaram Helena para a vitamina k e colirio e  o Ricardo foi junto. Me avaliaram na cama, sem laceração, essa me pegou de surpresa, eu realmente não contava com um perineo íntegro. Fiquei ali, sozinha, esperando, feliz. Tinha acontecido. Eu pari!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Marido Empoderado

Eu sempre gostei de falar "estamos grávidos" por vários motivos. O Ricardo sempre foi um companheiro fantástico, ele viveu comigo cada momento dessa gestação. Esteve sensível e forte, está aqui e ali. Ricardo é amparo, apoio e carinho.
Mas pela primeira vez, eu vi isso por outro ângulo, essa nossa gestação. Como é difícil estar grávido com uma mulher que decide levar uma gestação consciente. Explico melhor, eu tive um primeiro sangramento com 6 semanas, depois de 48hs eu me acalmei, me conectei com o meu corpo e entendi que eu não tinha poder sobre nada que aconteceria, mas eu sabia que o embrião estava bem. Só repetimos o US três semanas depois, eu passei essas três semanas vivendo normalmente, sem restrições, em conexão total com meu corpo, ele passou essas mesmas semanas em estado de alerta, qualquer respiração diferente era um pulo, eu me mexia na cama ele acordava. No dia do US (único em que ele esteve comigo) ele se emocionou, conteve uma lágrima, disse que finalmente iria respirar aliviado.
Nesse US foi visto um hematoma, e recebi uma indicação de repouso moderado. Ele enlouquecia com a minha inquietude, mas eu sabia que repousar não faria diferença nenhuma no desfecho da gestação, ficar em casa me fazia mal, mas não percebia o quanto as minhas ações excluíam os sentimentos e desejos dele, que tanto se preocupou com o nosso bem estar, com a nossa gestação.
Novo sangramento com 19 semanas e uma decisão de não ir ao hospital. Dessa vez cedi à inquietude dele e lá fomos nós, dois dias depois garantir que tudo estaria bem. E estava.
Durante a gravidez eu sempre fiz o mínimo de exames e intervenções, ele sempre me acompanhou nas consultas e sempre me sorriu ao ouvir o coração da nossa pequena, mas ele nunca vai sentir o que eu sinto quando ela se movimenta. Entendo que para muitos homens os US em excesso sirvam como conexão, afinal, eles não sentem como nós sentimos, não vivem como nós vivemos. Mesmo assim ele nunca discordou de mim, nem por um momento sobre a necessidade de fazer mais exames, em nenhum momento me pediu um US, nem para confirmar ou conferir ele mesmo o sexo. Inclusive ontem, olhando as roupas da Helena me perguntou "e se for menino?"
Ultimamente a tristeza dele é que ela para quando ele coloca a mão na barriga, por mais agitada que esteja. Eu o conforto dizendo que ele a acalma, como acalma a mim e por isso ela não se mexe. Ainda assim, segue inconsolável, pedindo por um chutinho em sua mão.
Há duas semanas, saiu uma parte do meu tampão mucoso, junto com bastante sangue. Eu sabia que não precisava me preocupar, conversei com a doula e com a médica no mesmo dia. Mas desde então ele acredita que a qualquer momento entrarei em trabalho de parto, e está atento a qualquer respiração. E eu sigo aqui, tranquila, com minhas contrações de BH, alguns pródromos, bastante cólicas, muita vontade de ficar de cócoras, quietinha no meu ninho.
Calma amor, falta pouco pra ter nosso bebê aqui fora...

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

É primavera!!

Tenho a cara de pau de ficar um mês off e voltar aqui.
Pois é minha gente, nem posso falar que falta tempo, pois sobra. Porém falta disposição mesmo, inspiração, organizar as ideias. E daí fui esperando as ideias se organizarem na minha cabeça, os fatos se ordenarem até me dar conta de que os fatos estavam se acumulando e eu não conseguia mais terminar rascunhos. Vamos então por partes e começando por um resumão das últimas 5 semanas.

28° semana-> consulta pré natal: ganhei 4kg em um mês e um puxão de orelha da médica por conta disso, mesmo assim pressão ok, batimentos ok, crescimento da Helena ok.
Sintomas: surgiram verrugas feiosas em algumas partes do corpo, as maiores já queimamos com ácido, as menores aguardamos que sumam depois do parto. É comum o aparecimento de verrugas, elas ocorrem devido a baixa imunidade, como uma proteção natural da pele.
29 semanas

29° semana -> Senti Helena soluçar pela primeira vez, é muito gostoso e engraçado mas não acontece com muita frequência.
Tive meus primeiros desejos: peixe e leite com nescau. Pode parecer que não é desejo, mas eu não gosto de peixe nem de leite. Ou não gostava, já que depois disso passei a tomar leite todos os dias e comer peixe pelo menos 2x na semana.

30° semana-> Chegou o meu exemplar de "A maternidade e o Encontro com a Própria Sombra", ganhei de uma grande amiga virtual. Enlouqueci de alegria, já lia Laura Gutman e queria muito esse livro.

31° semana-> chegou o berço e carrinho de Helena, o cantinho dela começou a tomar forma. Chorei muito, estive sensível demais, problemas surgiram debaixo do tapete. Conversei com a Kika (minha 1° doula) e ela solicitou uma intervenção, chamou uma doula daqui pra me atender, porque a coisa estava ficando feia. Comecei a pensar que minha introspecção estava passando dos limites. Questionei a vida, a gestação, a mim mesma.  Pensei em cancelar o ensaio fotográfico, conversei com a fotógrafa que foi maravilhosa, pediu que esperasse baixar a poeira pra decidir.

32 semanas
32° semana -> Conheci a Carol (doula), foi amor a primeira vista, como eu queria, como eu sonhei. Me abri, externei tudo que me incomodava, depois disso reuni forças e ainda conversei com o Ricardo, coloquei pra ele as minhas angústias e sombras (Laura já estava fazendo efeito em mim). Admiti que precisava e queria ajuda, traçamos um plano de ação. Sonhei com Helena, um bebê gordinho, com dobrinhas, delicada e calma. Acordei com saudades dela.
Visitei a maternidade do Hospital Universitário de Florianópolis, foi bem bacana. Vou tentar fazer um post somente sobre isso, infelizmente perdi as fotos, não sei se conseguiremos recuperar.
Perdi a uma parte do tampão :o

33° semana -> consulta pré natal, ganhei 1kg no último mês, Helena continua crescendo lindamente, cefálica com dorso à direita, chutando freneticamente tudo e todos que tocam na barriga. Marcamos os exames do 3° trimestre.
Senti pela primeira vez um chute na costela.
O chá de bebê foi cancelado.
Fizemos a sessão de fotos.
A fotógrafa e um grupo de amigas nos presentearam com muitas roupinhas e acessórios para Helena, já temos um enxoval quase completo.
Prévia do ensaio fotográfico

domingo, 14 de setembro de 2014

Quase 4 semanas...

Eu queria muito passar para dar notícias, falar como Helena e e estamos.
O problema aqui não é a falta de tempo, mas de expressão.
Nessa semana, coloco tudo em dia.
Compartilho então um texto que escrevi recentemente, na esperança de encerrar tantas lacunas.
"Nos últimos dias andei ausente de mim, andei fugindo, buscando respostas para tantas dúvidas que surgem dia após dia.
Lembro do dia em que tivemos a certeza de que era o momento de ter um filho, que era um plano inadiável, que esse sentimento nasceu em mim. Quem me conhece sabe o quanto sou intensa em cada plano que inicio, tão intensa quanto inconstante, mudo de planos a cada nova luz que brilha diante dos meus olhos. E quão distraídos são meus olhos.
Mas desde o primeiro momento eu sabia que essa era uma longa viagem, que faria tudo mudar. E entrei de cabeça, li muito, me informei, conversei com mães, gestantes e profissionais da saúde. Me armei de toda informação para que a gestação, parto e puerpério corressem da forma mais bela e consciente possível. E assim tem sido cada dia dessa gestação, sem ansiedades, sem medos.
Tivemos até aqui dois pequenos sustos, mas mesmo durante a dúvida, eu sabia que o melhor para todos nós prevaleceria. Eu tenho ao meu lado o melhor companheiro que poderia ter, sempre seguro, uma rocha nos sustentando.
E aqui chegamos, 31 semanas, contagem regressiva, quase na reta final. Mas afinal, qual era o mal que me afligia? Deixe-me partilhar algo: eu sou a Tamires, ainda sou a Tamires filha, irmã, companheira, ainda sou a mulher que gosta de escrever, que sente falta de trabalhar e estudar, que não se importa com maquiagem ou peso (aliás, 90% das minhas fotos são sem make e sem filtro), que se apega as minorias, que tem um milhão de sonhos e não se decide entre lecionar, fotografar ou administrar. Sou a Tami, a Tatá, a Tá, a Mile, aquela guria meio sem senso de humor e sem paciência pra mimimi. E sim, sou gestante, em breve serei mãe da Helena. Acontece que mergulhei tão fundo nesse último aspecto, que a Tamires estava desidratada e desnutrida. A Tamires escritora já não produzia, a cozinheira travou no arroz com ovo, a arteira deixou de pintar e colar, e a doida meio hippie esqueceu como se medita, como se alonga, como olhar para o seu corpo, que mesmo sendo dois, não deixou de ser um, não deixou de ser seu.
Estranho como a gestação nos tira de nós mesmas, são sentimentos e sentidos nunca antes experimentados. A dor traz sorrisos, o desconforto conforta, o corpo muda e esquecemos algumas partes que fogem do nosso campo de visão, além disso tem os membros que você enxerga, mas já não pode fazer muito com eles, tocar os pés é uma aventura e tanto.
Helena e eu somos uma sendo duas. Existíamos antes de sermos um ser único e existiremos (transformadas) como dois seres únicos após nosso (re)nascimento. Nossa conexão ultrapassa tudo isso, já a conheço e ela me conhece bem. Já nos comunicamos, temos nossos códigos e manias.
E quando chego já me dizem que a barriga chega antes, já me perguntam como vai Helena. Sim, pois sendo uma, só eu sei como ela está. Mas eu existo, e venho logo atrás da barriga. Sei que isso faz parte do pacote maternidade, que a vida após a chegada de Helena gira em torno dela, isso não é nenhuma surpresa e esse texto não é uma crítica à sociedade. Apenas uma reflexão, me deixei levar e eu mesma me via ao redor da barriga que cresce diariamente. Mas eu existo, além desse ser que cresce em mim, de mim. E existirei após seu nascimento, e mesmo que o mundo enxergue Helena através de mim, eu não posso deixar de me enxergar além de Helena, assim como ela já existe além de mim. Pois esse ponto de vista me leva diretamente a cuidar da mãe da Helena, cuidar do meu espirito, da minha mente.
Eu me desafio a ser eu, me encontrar e renascer. Talvez seja um abandono definitivo de muitas faces minhas, mas certamente será uma vida nova para todas."
30 semanas

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

BC Papeando com Azamigas

Nota: Perdi o dia da BC e perdi duas semanas de postagem sobre o andamento da gestação. Entramos na 31° semana hoje e espero que logo o blog esteja atualizado. Tenho muitas coisas pra falar e postar aqui, mas ao mesmo tempo estou super perdida e desorganizada, com fé que tudo se ajeita.
A BC dessa semana, que deveria ter entrado ontem foi escolhida pela Bruna do Blog Nosso História e é "Como vocês enxergam os tipos de partos que existem, por exemplo, parto normal, cesariana, humanizado, domiciliar etc. Qual o seu ponto de vista em relação á cada um deles? Qual escolheram e porque?"
A bem da verdade é que eu não queria mais falar de parto, ando me distanciando desse assunto porque já tenho minhas decisões tomadas e cansei de tentar mostrar pras pessoas os benefícios de um parto, cansei de grupos de gestante desfocados e discussões sem fim. Sim, eu sou a xiita doida que você vê nesses grupos onde o mundo gira em torno de um enxoval.
Para mim existe duas formas de nascimento: parto e cesárea. Sendo que o parto acontece via vaginal e a cesárea é um cirurgia de grande porte que atravessa sete camadas de tecidos, envolve alta dosagem de drogas e coloca sua vida e do seu bebê em risco quando desnecessária. É indicada em cerca de 20% das gestações e realizada em 80% no Brasil.
A internet está lotada de informação de qualidade, basta querer encontrar e estar realmente disposta a quebrar mitos e enfrentar a sociedade inteira. Sim, porque no Brasil ninguém aceita que você queira um parto normal, bacana é agendar a hora de extrair o seu filho, com direito a telinha pra família assistir e escolha do signo. Sou contra essa ideia de que "cada um sabe o que é melhor pra si", porque sem informação não existe escolha, não temos como saber o que é melhor sem pesar prós e contras e a grande maioria da classe médica no Brasil não é muito conhecida por esclarecer todos os contras de uma cirurgia de extração.
Pra mim, humanizado não é tipo de parto. Humanização é um movimento que vem acontecendo em várias partes do mundo, existe inclusive um projeto chamado "Humaniza SUS" que busca capacitar os profissionais da saúde para um atendimento mais humanizado e menos medicalizado. Quando se fala em humanizado, de forma geral, está se falando em um parto onde a mulher é a protagonista, ela escolhe o que quer e o que não quer, dentro das possibilidades expostas. Cabe anestesia em um parto humanizado? Sim, se for hospitalar. Cabe ocitocina sintética em parto humanizado? Sim, se for hospitalar. Ambas intervenções podem ser necessárias e trazer benefícios quando bem indicadas. Uma cesárea não pode ser humanizada, uma vez que o princípio da humanização é o protagonismo da mulher. Pode ser respeitosa, quando observadas as reais indicações, mas não humanizada.
Considerando que no parto humanizado a mulher é a protagonista, ela escolhe como e onde vai parir. Seja em casa, na água, de quatro, de cócoras, etc. Tudo isso é parto normal ou vaginal. Ter nosso desejo atendido não é nada além de um direito determinado pela Constituição, afinal é direito de todo cidadão ter atendimento médico baseado em evidências científicas recentes e comprovadas. Ou seja, buscar um parto respeitoso é buscar um direito assegurado legalmente. Ah, mas é mais fácil agendar uma cirurgia e se render ao sistema! Sim, com certeza é. Você não precisará fazer vakinha, comprometer o lindo enxoval, esquentar a cabeça, questionar o GO fofinho, parir em outra cidade, arriscar um plantão com plano de parto, etc.
Sobre a minha escolha: eu sonhei desde as tentativas com um Parto Domiciliar, para mim lugar de nascer é no ninho em que o bebê escolheu para viver, com parteira e a família que está recebendo o bebê. Esgotamos as possibilidades e financeiramente não vai rolar, já não gastaremos quase nada com o enxoval. Muitas coisas são doadas, o berço compramos em um brechó e teremos o chá de fraldas onde eu não gastarei nada além das passagens para minha cidade (aliás até para pagar as passagens to contando com ajuda da família). Não tenho conhecidos o suficiente para arrecadar R$4000 em uma vakinha, por mais que a equipe facilite, parcele e seja a equipe que eu sonhei, está fora do nosso alcance nesse momento.
A realidade: temos na cidade o Hospital Universitário que é modelo em humanização, não tem berçário e não praticam episiotomia de rotina. Temos alguma chance de conseguir respeito a todos os nossos desejos, o hospital conta com 3 obstetras realmente humanizados nas equipes de plantão, oferece chuveiros, bolas e barras para exercitar-se durante o TP e banqueta para parir de cócoras. Acredito que a nossa maior preocupação serão as intervenções no bebê e o corte precoce do cordão. Mas levaremos o plano de parto e estamos prontos para enfrentar a equipe, questionar e fazer de tudo para que nossa pequena seja respeitada.
Nossa mudança foi positiva nesse ponto. Em Porto Alegre não existe um Hospital como esse, lá eu teria mais condições de juntar alguma grana e com certeza faria de tudo pelo PD, pois minha equipe é de lá.
Isso é para esclarecer que em muitos lugares há opções interessantes pelo SUS, conheço quem tenha plano aqui em Floripa e mesmo assim opte pelo HU. Assim como no Rio, há a Maria Amélia, o CAISM em Campinas, as Casas de Parto em São Paulo e Brasília e o sonho de todas: Sofia Feldman em BH, pensamos em nos mudar pra BH só pra ter um PD pelo SUS.
Quem quiser mais informações, pode me procurar por email, eu realmente amo auxiliar e estou sempre a disposição de quem realmente QUER um parto normal. Eu não vou tentar, vou parir!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

BC Papeando com Azamigas

Hoje é dia de BC e o tema foi escolhido pela Evelyn do Enquanto Te Esperava e é "Os valores que quero passar para o meu filho". Ah, já pensei nisso até demais, na verdade penso todos os dias, desde que era ainda tentante. A preocupação com isso se multiplicou quando descobri estar esperando Helena.
Falar em valores me leva a uma retrospectiva sobre como meus próprios valores se fundamentaram e isso me lembra principalmente do CLJ (Curso de Liderança Juvenil Cristã) onde em determinado momento listávamos nossos valores e desvalores, gostaria de encontrar aquele velho caderno. Eu cresci em uma família católica, nesse ponto não tem como desvincular os valores que EU desenvolvi da religião, já que fui criada sob os preceitos dessa "comunidade". Mas fui além, aos 17 anos decidi que não concordava com muitos valores da igreja católica e me afastei, alguns anos depois ainda conheci uma igreja evangélica e concordava com muitos valores praticados ali, porém nem todos faziam parte do que eu estava construindo naquele momento, por isso também me afastei.
Mas é claro que tudo isso afetou a construção dos valores que prezo hoje, assim como a criação dada pelos meus pais, que foi extremamente livre e nada violenta (nunca apanhei ou fiquei de castigo, adestramento não era praticado lá em casa). Não acredito ser capaz de moldar os valores que Helena terá, aliás nem quero. Espero sinceramente que ela tenha liberdade e autonomia de descobrir seus próprios valores e a forma de conduzir sua vida, mesmo que eu e seu pai discordemos dela. E portanto acredito que autonomia e liberdade sejam valores importantes e sobre os quais muito cedo a criança pode compreender e desenvolver. Nossa escolha por não batizá-la, não perfurar suas orelhas (e nenhuma outra parte do seu corpo) e permitir que ela possa nascer quando estiver pronta e da forma mais respeitosa possível tem uma ligação direta com esses valores. Chamar Helena de "minha filha" não me dá a liberdade de exercer a minha vontade sobre seu corpo, mas sim de preservá-lo até que ela mesma possa expressar e exercer suas vontades. E nesse mesmo ritmo nossa prioridade pelo seu conforto ao invés de sua estética, sua infância ao invés de sua orientação sexual.
Helena hoje é uma página em branco, quando a visualizo fora da barriga ainda vejo um vulto sem cores, sem preferências, sem expectativas de que seja assim ou assado. Mas todas as cores que eu puder dar, estarão em suas mãos.
Compartilho ainda um texto que muito me emociona, mesmo antes de eu esperar Helena, mas que tem tudo a ver com tudo que espero dos próximos anos:
"Helena,
Quando você nasceu foi declarada do sexo feminino, mas quando ainda era muito pequena, um cisco na minha barriga, já imaginava “E se a escolha não for a mesma constatada pelos médicos?”. Sim, já discuti isso com seu pai."
Continua aqui:  http://cartasparahelena.wordpress.com/2014/03/30/helena-voce-pode-ser-um-menino-se-quiser/comment-page-1/